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Cantareira deve terminar agosto com pouco mais de 30% e continuar em alerta em setembro

  • Foto do escritor: Henrique Ferreira
    Henrique Ferreira
  • há 16 horas
  • 7 min de leitura

Principal sistema de abastecimento da Grande São Paulo perdeu cerca de 30 bilhões de litros em agosto; Sabesp terá limite de captação enquanto reservatório permanecer na faixa de alerta


Vista aérea de reservatório azul com ilhas verdes, estradas de terra e uma ponte/cais central sob céu limpo.
Sistema Cantareira abastece cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo e chega ao fim de agosto em queda.

O Sistema Cantareira deve permanecer na faixa de alerta em setembro, depois de terminar agosto com pouco mais de 30% do volume útil. O nível do principal conjunto de reservatórios responsável pelo abastecimento da Grande São Paulo vem caindo ao longo dos últimos meses, enquanto a expectativa de recuperação depende da chegada de uma temporada de chuvas mais consistente.

Somente em agosto, o sistema perdeu cerca de 30 bilhões de litros de água. No domingo, 30 de agosto, o Cantareira tinha aproximadamente 17 bilhões de litros a menos do que no mesmo período de 2025, segundo levantamento citado pelo Metrópoles.

A situação exige atenção porque o Cantareira responde por cerca de metade do abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo.


Qual é o nível do Sistema Cantareira?


O Cantareira chega ao fim de agosto com pouco mais de 30% do volume útil, mantendo-se dentro da faixa de alerta estabelecida pelas regras de operação dos reservatórios.

A faixa de alerta corresponde a volumes entre 30% e 40%. Nessa condição, a retirada de água pela Sabesp é limitada em relação ao que seria permitido quando o sistema está em situação normal.

Em julho, o sistema havia encerrado o mês com 36,67% do volume útil. Naquele momento, a ANA e a SP Águas já haviam determinado a permanência do Cantareira na faixa de alerta durante agosto.


O Cantareira pode sair da faixa de alerta em setembro?


A tendência é que não.

Com o volume ainda em queda no fim de agosto, a expectativa é que o sistema permaneça na faixa de alerta durante setembro. A recuperação mais significativa dos reservatórios depende principalmente da retomada das chuvas durante a estação chuvosa.

Setembro ainda marca o fim do período mais seco. Outubro representa o início do ano hidrológico, quando normalmente começa uma mudança no padrão de chuvas que pode contribuir para a recuperação dos mananciais.

Isso não significa, porém, que as primeiras chuvas da primavera serão suficientes para recuperar rapidamente o Cantareira.


Quanto de água a Sabesp poderá retirar do Cantareira?


Na faixa de alerta, a Sabesp pode retirar até 27 metros cúbicos por segundo, volume inferior ao limite de até 33 m³/s permitido em condições de normalidade.

A restrição faz parte das regras definidas para a operação do sistema e não significa, por si só, que haverá racionamento ou interrupção generalizada do abastecimento.

A companhia também pode contar com água proveniente da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do Rio Paraíba do Sul, por meio da interligação existente com o reservatório Atibainha.


Por que o nível do Cantareira está caindo?


A queda está relacionada principalmente ao período seco, ao baixo volume de água que efetivamente chega aos reservatórios e às condições climáticas observadas ao longo do ano.

Um ponto importante é que chuva e vazão não são exatamente a mesma coisa.

A vazão natural representa a quantidade de água que efetivamente chega às represas. Segundo dados apresentados pelo Metrópoles, em junho choveu 103 milímetros nos reservatórios, quase o dobro da média histórica de 55 milímetros. Mesmo assim, a vazão natural ficou em 24,25 m³/s, abaixo da média histórica de 33,2 m³/s.

Isso ajuda a explicar por que um mês com chuva aparentemente elevada não necessariamente produz uma recuperação proporcional do nível dos reservatórios.


O solo seco influencia a recuperação dos reservatórios?


Sim.


Quando o solo está muito seco, parte da água das chuvas é absorvida pelo terreno antes de alcançar rios e córregos que alimentam os reservatórios.

Além disso, episódios de chuva muito intensa e concentrada em pouco tempo podem produzir grandes volumes de precipitação sem necessariamente gerar uma vazão suficiente para recuperar os mananciais.

Esse comportamento é especialmente relevante em um cenário de mudanças climáticas, no qual períodos de estiagem e eventos extremos podem ocorrer com maior frequência.Quando começa o período de chuvas em São Paulo?

O período mais chuvoso costuma ganhar força a partir da primavera, com outubro


marcando o início do ano hidrológico.


Entretanto, os meses de maior importância para a recuperação dos reservatórios são normalmente aqueles com maior volume de chuva, especialmente entre o fim da primavera e o verão.

Por isso, setembro ainda deve ser um mês de atenção para o sistema. A chegada das primeiras chuvas não significa necessariamente uma recuperação imediata do volume armazenado.


El Niño pode aumentar a preocupação com o abastecimento?


O possível fortalecimento do El Niño é um dos fatores acompanhados pelos especialistas.

O fenômeno pode influenciar as temperaturas e o comportamento das chuvas em diferentes regiões do país. No caso de São Paulo, temperaturas mais elevadas também podem aumentar a demanda por água.

Segundo a reportagem do Metrópoles, a possibilidade de um El Niño mais intenso nos próximos meses é motivo de preocupação porque uma elevação das temperaturas pode contribuir para o aumento do consumo.

As condições climáticas, entretanto, não permitem afirmar antecipadamente como será o comportamento dos reservatórios durante toda a próxima estação chuvosa.


O Cantareira já esteve em situação pior em 2026?


Sim.


No início de 2026, o sistema chegou a operar na faixa de restrição, depois de meses de níveis muito baixos. O Cemaden registrou que, no fim de janeiro, o Cantareira estava próximo de 23% do volume útil e classificava-se na faixa de restrição.

As chuvas registradas durante fevereiro ajudaram a recuperar parcialmente o sistema, que posteriormente voltou para a faixa de alerta.

Mesmo com essa melhora, as projeções hidrológicas já apontavam para a possibilidade de o Cantareira chegar ao fim de setembro novamente na faixa de alerta em um cenário de chuvas próximas da média histórica.


Quanto o Cantareira representa no abastecimento de São Paulo?


O Sistema Cantareira é responsável por aproximadamente metade do abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo.

O sistema é formado por cinco reservatórios principais interligados: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro.

O volume útil total é de aproximadamente 981,56 bilhões de litros.

A importância do Cantareira explica por que sua situação é acompanhada diariamente pelas autoridades responsáveis pela gestão dos recursos hídricos.


A Sabesp está reduzindo a pressão da água?


Sim.


A chamada Gestão da Demanda Noturna, que reduz a pressão da água nas tubulações durante determinados períodos da noite, vem sendo utilizada como uma medida preventiva para diminuir perdas e preservar os reservatórios.

Em julho, o período da redução foi diminuído de dez para oito horas depois de uma melhora temporária das condições dos mananciais.

Segundo a Sabesp, a medida havia proporcionado uma economia acumulada de aproximadamente 193 bilhões de litros até agosto, de acordo com levantamento divulgado pela Folha.


O nível do Cantareira significa que São Paulo terá racionamento?


Não necessariamente.

Estar na faixa de alerta significa que existem regras específicas de operação e limites para a retirada de água, mas isso não representa automaticamente um racionamento para a população.

A situação do abastecimento depende do conjunto dos sistemas que atendem a Região Metropolitana, das chuvas, das vazões, das transferências entre mananciais e das medidas adotadas pelas autoridades.

Quando o Cantareira entrou na faixa de alerta em julho, a ANA e a SP Águas destacaram a necessidade de uso racional da água, mas a mudança de faixa não significou, por si só, interrupção do abastecimento.


O que a população pode fazer durante o período seco?


O uso consciente da água continua sendo uma das principais medidas recomendadas pelas autoridades.

Evitar desperdícios, reduzir o tempo de banho, não utilizar água potável para lavar calçadas e veículos sem necessidade e corrigir vazamentos são algumas das medidas que ajudam a diminuir a demanda.

A recomendação ganha importância durante períodos prolongados de estiagem porque a recuperação dos reservatórios depende de uma combinação entre chuvas, vazões naturais e controle do consumo.


Como está o Sistema Integrado Metropolitano?


O Cantareira não é o único sistema responsável pelo abastecimento da Grande São Paulo.

O Sistema Integrado Metropolitano, conhecido como SIM, reúne sete sistemas produtores: Cantareira, Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço.

Em 26 de agosto, o SIM estava com 43,9% da capacidade, enquanto o Cantareira registrava 33,6%, segundo dados divulgados pela Folha.

A diferença mostra por que a gestão integrada dos mananciais é importante para a segurança hídrica da região.


O que esperar para setembro?


Setembro deve continuar sendo um mês de atenção para o abastecimento de água na Grande São Paulo.

O Cantareira entra no mês ainda na faixa de alerta e com tendência de queda. A expectativa é que o sistema atravesse as últimas semanas do período seco antes de começar a receber volumes mais significativos de chuva.

A situação será determinada principalmente pela combinação entre precipitação, vazão natural, consumo, transposição de água e condições climáticas.

O cenário reforça a necessidade de acompanhamento constante dos reservatórios, especialmente porque o Cantareira representa uma parcela expressiva do abastecimento metropolitano.


O que os dados mostram sobre a situação hídrica de São Paulo?


O cenário de 2026 mostra que a recuperação dos reservatórios não depende apenas de registrar chuva.

O Cantareira conseguiu sair de uma situação mais crítica no primeiro semestre, mas voltou a apresentar queda durante o período seco. Ao mesmo tempo, medidas de gestão da demanda e transferência de água entre sistemas ajudaram a reduzir a velocidade dessa queda.

A entrada em setembro na faixa de alerta não representa uma nova crise hídrica nos moldes de 2014 e 2015, mas mantém a segurança hídrica como um dos principais desafios para São Paulo nos próximos meses.


Perguntas frequentes


Qual é o nível do Sistema Cantareira?

O Cantareira chega ao fim de agosto de 2026 com pouco mais de 30% do volume útil, permanecendo na faixa de alerta.


O Cantareira continuará em alerta em setembro?

A expectativa é que sim. A tendência de queda observada no fim de agosto indica a permanência do sistema na faixa de alerta durante setembro.


O que significa a faixa de alerta?

A faixa de alerta corresponde a um volume útil entre 30% e 40%. Nessa condição, existem restrições específicas para a retirada de água do sistema.


Quanto de água a Sabesp pode retirar do Cantareira?

Na faixa de alerta, a Sabesp pode retirar até 27 m³/s do Sistema Cantareira, conforme as regras de operação.


O Cantareira abastece quantas pessoas?

O sistema atende cerca de metade da população da Região Metropolitana de São Paulo.


Haverá racionamento de água em São Paulo?

A permanência na faixa de alerta não significa automaticamente racionamento. A operação depende das condições de todos os sistemas que abastecem a Região Metropolitana.


Quando começa o período de chuvas?

Outubro marca o início do ano hidrológico, mas a recuperação mais significativa dos reservatórios depende do volume e da regularidade das chuvas ao longo da estação chuvosa.


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