Cury registra queda nas vendas líquidas no 2º trimestre, mas mantém forte geração de caixa e amplia lançamentos
- Henrique Ferreira

- há 2 dias
- 8 min de leitura
Incorporadora especializada no Minha Casa, Minha Vida apresenta redução nas vendas, enquanto reforça expansão operacional e mantém indicadores considerados sólidos pelo mercado

A Cury Construtora e Incorporadora iniciou o segundo semestre de 2026 divulgando sua prévia operacional referente ao segundo trimestre. Embora a companhia tenha registrado queda de 9,5% nas vendas líquidas, os demais indicadores mostram um cenário mais equilibrado do que o número principal pode sugerir.
As vendas líquidas somaram R$ 2,05 bilhões entre abril e junho, abaixo do desempenho observado no mesmo período de 2025. Em contrapartida, a empresa ampliou o volume de lançamentos, reduziu os distratos, manteve geração positiva de caixa pelo 29º trimestre consecutivo e alcançou o maior banco de terrenos de sua história.
A divulgação dos números provocou reação negativa inicial das ações na bolsa, mas analistas destacaram que a operação continua sólida e que a desaceleração das vendas não compromete, neste momento, os fundamentos da companhia.
O que explica a queda nas vendas?
A redução nas vendas líquidas ocorreu em um contexto de ajustes operacionais e mudanças no ritmo dos lançamentos.
Segundo a companhia, as vendas totalizaram R$ 2,045 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), contra um resultado superior registrado no segundo trimestre de 2025. A velocidade de vendas (VSO líquida) ficou em 40,5%, abaixo dos 47,5% observados um ano antes.
Executivos da empresa atribuíram parte desse desempenho ao adiamento de um lançamento no Rio de Janeiro, decorrente de atrasos em aprovações regulatórias. Também afirmaram que os reajustes de preços praticados recentemente podem ter provocado uma acomodação temporária da demanda, embora não tenham sido apontados como o principal fator da queda.
Mesmo com vendas menores, os lançamentos cresceram

Um dos aspectos mais relevantes da prévia operacional foi o crescimento dos lançamentos.
Entre abril e junho, a Cury lançou 11 empreendimentos, oito em São Paulo e três no Rio de Janeiro, totalizando R$ 2,26 bilhões em VGV, alta de 1,4% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
Embora o número de unidades tenha permanecido praticamente estável, a empresa manteve um ritmo elevado de expansão, reforçando sua estratégia de crescimento nos dois principais mercados onde atua.
Geração de caixa continua sendo um dos destaques
Apesar da redução nas vendas, a geração de caixa operacional permaneceu robusta.
No segundo trimestre, a companhia gerou R$ 144,9 milhões, crescimento de 40,2% em relação ao mesmo período de 2025. Com isso, a Cury alcançou o 29º trimestre consecutivo com geração positiva de caixa, indicador frequentemente acompanhado por investidores por demonstrar capacidade de financiar o crescimento da empresa sem aumentar significativamente seu endividamento.
Analistas de mercado consideraram esse resultado um dos principais pontos positivos da prévia operacional.
Distratos diminuem
Outro indicador relevante foi a redução dos distratos.
Os cancelamentos de contratos somaram R$ 171,2 milhões, recuo de 27,6% na comparação anual. Como consequência, os distratos passaram a representar uma parcela menor das vendas brutas da companhia, refletindo maior estabilidade na carteira de clientes.
Esse comportamento é visto pelo mercado como um sinal positivo, especialmente em um cenário de juros elevados, no qual compradores tendem a enfrentar mais dificuldades para concluir financiamentos.
Minha Casa, Minha Vida continua impulsionando a companhia
Grande parte dos empreendimentos da Cury está enquadrada no programa Minha Casa, Minha Vida, segmento que continua apresentando demanda consistente.
O fortalecimento do programa federal, aliado ao déficit habitacional brasileiro, mantém aquecido o mercado de imóveis econômicos, mesmo em um ambiente de crédito mais restritivo do que o observado em anos anteriores. Analistas destacam que esse posicionamento ajuda a explicar a resiliência operacional da empresa.
Mesmo com desaceleração nas vendas, incorporadora amplia capacidade de crescimento e reforça posição entre as líderes do segmento econômico

A prévia operacional do segundo trimestre mostra que a queda nas vendas líquidas não impediu a Cury de manter indicadores considerados estratégicos para seu crescimento de longo prazo. A companhia continua expandindo sua capacidade de produção, ampliando seu estoque de terrenos e fortalecendo sua posição em um dos segmentos mais resilientes do mercado imobiliário brasileiro.
Na avaliação de analistas, o desempenho operacional permanece consistente. A desaceleração nas vendas foi parcialmente compensada pelo crescimento da geração de caixa, pela redução dos distratos e pelo avanço da produção de novas unidades, fatores que reforçam a capacidade da empresa de sustentar seu ritmo de expansão.
Banco de terrenos atinge recorde histórico
Um dos principais destaques da prévia operacional foi o crescimento do banco de terrenos.
Ao final de junho de 2026, a Cury informou possuir um landbank com potencial de R$ 26,1 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), o maior da história da companhia. Desse total, aproximadamente 73,7% está concentrado em São Paulo e 26,3% no Rio de Janeiro.
Para incorporadoras, um banco de terrenos robusto representa uma vantagem competitiva importante, pois garante oferta futura de projetos e reduz a necessidade de disputar áreas em momentos de maior valorização imobiliária.
Produção acelera e alcança novo recorde
Outro indicador que chamou atenção foi o crescimento da produção.
Durante o segundo trimestre, a Cury produziu 5.737 unidades, avanço de 41,8% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado do primeiro semestre, a produção ultrapassou 10 mil unidades, refletindo a continuidade dos investimentos em novos empreendimentos.
Esse aumento demonstra que a empresa mantém confiança na demanda de médio e longo prazo, mesmo em um cenário de juros elevados.
Repasses crescem e reforçam o fluxo de caixa
Os repasses imobiliários também apresentaram evolução expressiva.
No trimestre, o volume de unidades repassadas aos bancos atingiu cerca de R$ 2 bilhões, crescimento superior a 50% em relação ao trimestre anterior. Esse avanço contribui diretamente para o fluxo de caixa da companhia, pois representa a conclusão da etapa de financiamento dos compradores e a entrada de recursos provenientes das instituições financeiras.
Minha Casa, Minha Vida continua impulsionando a demanda
A Cury mantém forte atuação no segmento econômico, especialmente em empreendimentos enquadrados no programa Minha Casa, Minha Vida.
Esse mercado continua apresentando demanda elevada devido ao déficit habitacional brasileiro e às condições específicas de financiamento oferecidas pelo programa federal.
Mesmo com juros elevados no mercado tradicional, parte dos compradores do segmento econômico consegue acessar linhas de crédito com condições diferenciadas, preservando um nível relativamente estável de vendas.
São Paulo segue como principal mercado da companhia
São Paulo permanece como o principal mercado da Cury.
A maior parte dos lançamentos e do banco de terrenos da companhia está concentrada na capital paulista e na Região Metropolitana, onde o crescimento populacional, a oferta de transporte público e a necessidade de novas moradias sustentam a demanda por imóveis econômicos.
Além disso, a escassez de terrenos bem localizados reforça a importância de um banco de áreas adquirido antecipadamente, permitindo maior previsibilidade para os próximos ciclos de lançamentos.
O que dizem os analistas?
Após a divulgação da prévia operacional, analistas destacaram que os números ficaram abaixo das expectativas em vendas, mas ressaltaram a qualidade dos demais indicadores operacionais.
Entre os pontos considerados positivos estão:
✓ Crescimento da geração de caixa.
✓ Redução dos distratos.
✓ Produção recorde.
✓ Expansão do banco de terrenos.
✓ Continuidade dos lançamentos.
Relatórios de instituições financeiras mantiveram avaliação favorável para a companhia, entendendo que o adiamento de um lançamento previsto para o segundo trimestre ajudou a explicar parte da redução das vendas e que esse efeito pode ser compensado nos próximos períodos.
Incorporadora mantém fundamentos sólidos e aposta na demanda por imóveis econômicos para sustentar o crescimento
Mesmo com a retração nas vendas líquidas durante o segundo trimestre de 2026, a Cury encerra o período com indicadores que demonstram resiliência operacional. A combinação entre geração consistente de caixa, expansão do banco de terrenos, redução dos distratos e manutenção de um elevado volume de lançamentos reforça a estratégia da companhia para continuar crescendo em um mercado que permanece competitivo.
Para analistas do setor, o resultado do trimestre deve ser interpretado de forma mais ampla. Embora o volume de vendas tenha ficado abaixo do registrado um ano antes, a empresa continua apresentando fundamentos considerados sólidos e capacidade para manter seu plano de expansão nos próximos anos.
O cenário do mercado imobiliário continua desafiador
O desempenho das incorporadoras continua sendo influenciado por fatores econômicos que afetam diretamente a decisão de compra dos consumidores.
Entre os principais desafios estão:
✓ Taxas de juros elevadas.
✓ Custos da construção civil.
✓ Inflação de materiais.
✓ Tempo de aprovação de novos empreendimentos.
✓ Disponibilidade de crédito imobiliário.
Apesar desse ambiente mais complexo, o segmento de habitação econômica continua apresentando demanda consistente devido ao déficit habitacional brasileiro e ao apoio de programas habitacionais voltados à população de menor renda.
Minha Casa, Minha Vida continua sustentando o setor
Grande parte dos lançamentos da Cury está concentrada no programa Minha Casa, Minha Vida, que segue sendo um dos principais motores do mercado imobiliário nacional.
O programa permite condições diferenciadas de financiamento para famílias enquadradas nas faixas de renda estabelecidas pelo Governo Federal, ampliando o acesso à casa própria e contribuindo para manter a demanda por imóveis novos.
Esse cenário ajuda empresas especializadas nesse segmento a enfrentar períodos de maior restrição econômica com menor volatilidade do que incorporadoras focadas exclusivamente em empreendimentos de alto padrão.
Banco de terrenos garante crescimento futuro
O recorde alcançado pelo banco de terrenos da companhia também fortalece sua estratégia de longo prazo.
Ter áreas já adquiridas permite à incorporadora:
✓ Planejar lançamentos com maior previsibilidade.
✓ Reduzir riscos relacionados à escassez de terrenos.
✓ Aproveitar oportunidades de mercado.
✓ Manter o ritmo de crescimento mesmo em períodos de maior valorização imobiliária.
Em cidades como São Paulo, onde terrenos disponíveis são cada vez mais escassos, essa estratégia representa uma vantagem competitiva importante.
O que investidores devem acompanhar
Nos próximos trimestres, alguns indicadores continuarão sendo observados pelo mercado.
Entre eles:
✓ Evolução das vendas líquidas.
✓ Velocidade de comercialização (VSO).
✓ Novos lançamentos.
✓ Geração de caixa.
✓ Margens operacionais.
✓ Repasses bancários.
✓ Redução dos distratos.
Também será importante acompanhar o comportamento da taxa básica de juros e das condições de financiamento imobiliário, fatores que influenciam diretamente a capacidade de compra das famílias.
Perspectivas para o segundo semestre
A expectativa de analistas é que parte das vendas não concretizadas no segundo trimestre possa ser recuperada nos meses seguintes, especialmente com a entrada de novos empreendimentos e a regularização de projetos que enfrentaram atrasos em aprovações.
Caso o ambiente econômico permaneça relativamente estável e o crédito imobiliário continue disponível para o segmento econômico, a Cury poderá manter um ritmo consistente de crescimento operacional.
Ao mesmo tempo, a empresa continuará enfrentando desafios como o aumento dos custos de construção, a concorrência no mercado imobiliário e a necessidade de manter margens saudáveis em um cenário competitivo.
Conclusão
A prévia operacional do segundo trimestre de 2026 mostra que a Cury atravessa um momento de ajuste no ritmo das vendas, mas preserva fundamentos importantes para sustentar seu crescimento.
Embora as vendas líquidas tenham recuado na comparação anual, a companhia ampliou os lançamentos, fortaleceu sua geração de caixa, reduziu os distratos e alcançou o maior banco de terrenos de sua história.
Esses indicadores sugerem que a empresa continua bem posicionada no segmento de habitação econômica, especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, mercados que concentram a maior parte de suas operações.
O desempenho dos próximos trimestres dependerá da evolução do crédito imobiliário, do comportamento da economia e da capacidade da companhia de transformar seu pipeline de lançamentos em novas vendas.
Perguntas frequentes (FAQ)
Por que as vendas da Cury caíram no segundo trimestre de 2026?
As vendas líquidas recuaram 9,5% em relação ao mesmo período de 2025. Entre os fatores apontados estão o adiamento de um lançamento no Rio de Janeiro e um ritmo menor de comercialização em comparação ao ano anterior.
A empresa continua crescendo?
Sim. Apesar da queda nas vendas líquidas, a Cury aumentou os lançamentos, reduziu os distratos, expandiu a produção e registrou crescimento da geração de caixa.
O que é o banco de terrenos?
É o conjunto de áreas adquiridas pela incorporadora para futuros empreendimentos. Quanto maior e mais bem localizado esse estoque, maior tende a ser a capacidade de crescimento da empresa.
A Cury atua em quais mercados?
A companhia concentra suas operações principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, com forte atuação no segmento de habitação econômica.
O Minha Casa, Minha Vida continua importante para a empresa?
Sim. O programa permanece como um dos principais motores das vendas da Cury, contribuindo para manter a demanda por imóveis destinados à população de renda média e baixa.



Comentários