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Preço dos imóveis sobe cerca de 10% e construtoras recuperam margem mesmo com juros elevados

  • Foto do escritor: Henrique Ferreira
    Henrique Ferreira
  • há 2 horas
  • 9 min de leitura

Alta dos custos da construção, demanda aquecida e escassez de terrenos impulsionam valorização dos lançamentos em São Paulo e no Brasil


Vista aérea de prédio em construção cinza, com operários no topo, cercado por bairro urbano e arranha-céus ao fundo.
Construção de um edifício residencial em andamento, destacando-se sobre a paisagem urbana ao fundo.

O mercado imobiliário brasileiro entrou em uma nova fase. Após enfrentar anos marcados pelo aumento expressivo dos custos da construção civil, alta dos juros e restrições no crédito, as incorporadoras começaram a recuperar parte da rentabilidade graças ao reajuste nos preços dos imóveis novos.


Dados do Radar da Construção, levantamento elaborado por OLX, Sienge, CV CRM e Nomad, mostram que os preços médios dos lançamentos residenciais aumentaram 10,06% nos últimos 12 meses. O percentual supera a variação do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que acumulou 6,17% no mesmo período, indicando que parte do aumento dos custos finalmente começou a ser repassada aos compradores.


O movimento representa um alívio para o setor da construção civil, que nos últimos anos enfrentou forte pressão sobre suas margens devido ao encarecimento de materiais, mão de obra, logística e financiamento.


Mercado imobiliário enfrenta um novo cenário econômico


A construção civil é uma atividade que exige planejamento de longo prazo.

Entre a aquisição do terreno, aprovação dos projetos, lançamento comercial e entrega das chaves, um empreendimento pode levar vários anos para ser concluído.

Durante esse período, diversos fatores econômicos podem alterar significativamente os custos da obra.

Entre os principais estão:

✓ Inflação.

✓ Aumento do preço do aço.

✓ Cimento.

✓ Alumínio.

✓ Instalações elétricas e hidráulicas.

✓ Vidros.

✓ Acabamentos.

✓ Mão de obra especializada.

✓ Custos financeiros.

Quando esses aumentos ocorrem rapidamente, muitas empresas não conseguem reajustar imediatamente o valor dos imóveis vendidos, reduzindo sua margem de lucro.


O aumento dos preços não ocorreu por acaso


Nos últimos anos, o setor enfrentou uma sequência de fatores que pressionaram os custos.

Entre eles destacam-se:

✓ Pandemia de Covid-19.

✓ Problemas nas cadeias globais de suprimentos.

✓ Aumento internacional das commodities.

✓ Escassez de materiais de construção.

✓ Inflação elevada.

✓ Alta da taxa Selic.

Esse cenário obrigou diversas incorporadoras a rever seus planejamentos financeiros e lançar projetos com maior rigor na gestão de custos.

À medida que o mercado voltou a apresentar demanda consistente, parte desses custos passou a ser incorporada aos preços dos novos empreendimentos.


O que é o INCC e por que ele influencia os imóveis?


Materiais de construção empilhados em obra: tijolos, sacos de cimento, vergalhões, madeira e placas, com guindaste ao fundo.
Materiais de construção organizados em um canteiro de obras, prontos para serem utilizados.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) é um dos principais indicadores utilizados pelo mercado imobiliário para medir a evolução dos custos das obras.

Calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), ele acompanha a variação dos preços de materiais, equipamentos, serviços e mão de obra utilizados na construção civil.

Na prática, quando o INCC sobe, o custo para construir novos empreendimentos também aumenta.

Segundo o levantamento do Radar da Construção, o reajuste médio dos imóveis novos ficou acima da variação do índice, indicando uma recomposição parcial das margens das construtoras.


Selic elevada continua sendo um desafio


Apesar da recuperação dos preços, o mercado ainda enfrenta um importante desafio: o custo do crédito.

A taxa Selic elevada influencia diretamente os financiamentos imobiliários, tornando os empréstimos mais caros para consumidores e empresas.

Esse impacto é mais intenso no segmento de média renda, onde a maior parte das compras depende de financiamento bancário.

Por outro lado, o mercado econômico continua recebendo impulso de programas habitacionais, enquanto o segmento de alto padrão costuma apresentar menor dependência do crédito tradicional, já que parte dos compradores utiliza recursos próprios ou modalidades diferenciadas de financiamento.


São Paulo concentra boa parte dos lançamentos


São Paulo continua liderando o mercado imobiliário brasileiro.

A cidade concentra alguns dos maiores lançamentos do país e reúne bairros que permanecem em processo de valorização, impulsionados pela expansão da infraestrutura urbana, novas linhas de metrô, revitalização de regiões centrais e crescimento dos polos corporativos.

Regiões como Vila Olímpia, Brooklin, Pinheiros, Moema, Campo Belo, Butantã e Chucri Zaidan seguem atraindo investimentos devido à combinação entre mobilidade, oferta de serviços e geração de empregos.

Esse cenário mantém elevada a procura por imóveis novos, mesmo em um ambiente de juros elevados.


A demanda permanece resiliente


Mesmo diante do aumento dos preços, o interesse por imóveis continua consistente.

Diversos fatores ajudam a explicar esse comportamento:

✓ Crescimento da população urbana.

✓ Formação de novos domicílios.

✓ Busca por imóveis próximos ao metrô.

✓ Maior procura por qualidade de vida.

✓ Interesse de investidores.

✓ Expansão do mercado de locação.

Além disso, muitos compradores enxergam o imóvel como um patrimônio de longo prazo, reduzindo a sensibilidade a oscilações temporárias da economia.


Mesmo com juros elevados, diferentes segmentos do setor encontram caminhos para manter lançamentos e vendas


O aumento de aproximadamente 10% nos preços dos imóveis novos não representa apenas uma alta para o comprador. Para muitas incorporadoras, esse reajuste significou a possibilidade de recuperar parte da rentabilidade perdida nos últimos anos.

Durante o período de forte inflação da construção civil, diversas empresas viram seus custos crescerem em velocidade superior à capacidade de reajustar os valores de venda dos empreendimentos. Como resultado, margens foram reduzidas e alguns projetos precisaram ser reavaliados.

O cenário começou a mudar à medida que o mercado absorveu os novos preços e manteve um nível de demanda considerado saudável em diversas regiões do país.


A recomposição das margens era necessária


Para entender a importância desse movimento, é preciso lembrar que a construção civil trabalha com ciclos longos.

Entre a compra do terreno e a entrega das unidades podem se passar vários anos. Durante esse período, qualquer aumento nos custos impacta diretamente o resultado financeiro do empreendimento.

Nos últimos anos, o setor enfrentou:

✓ Aumento dos materiais de construção.

✓ Elevação dos custos trabalhistas.

✓ Juros mais altos.

✓ Enc encarecimento do crédito corporativo.

✓ Maior custo para aquisição de terrenos.

✓ Inflação acumulada acima do esperado.

Com a recuperação parcial dos preços dos imóveis, muitas incorporadoras conseguiram equilibrar melhor suas contas e retomar projetos que haviam sido adiados.


O mercado econômico continua mostrando força


Prédios residenciais bege em rua de terra sob céu azul; um homem caminha ao lado de postes e fios.
Conjunto habitacional moderno

Entre os diferentes segmentos imobiliários, o mercado econômico continua sendo um dos mais resilientes.

Programas habitacionais e linhas de financiamento específicas ajudam a sustentar a demanda, mesmo em um ambiente de juros elevados.

Além disso, o déficit habitacional brasileiro permanece significativo, mantendo uma procura constante por imóveis voltados às famílias de renda média e baixa.

Essa realidade faz com que muitas construtoras continuem direcionando investimentos para produtos enquadrados em programas habitacionais e faixas de renda com maior acesso ao crédito subsidiado.


A classe média sente mais os efeitos dos juros


O segmento de média renda é considerado um dos mais sensíveis às oscilações da taxa Selic.

Grande parte das famílias depende diretamente de financiamento bancário para adquirir um imóvel.

Quando os juros sobem, ocorre uma combinação de fatores:

✓ Parcelas mais altas.

✓ Menor poder de compra.

✓ Redução do valor financiável.

✓ Exigência de renda maior.

✓ Prazo mais longo para tomada de decisão.

Por isso, esse segmento costuma reagir mais rapidamente às mudanças da política monetária.

Mesmo assim, regiões com forte demanda estrutural continuam apresentando desempenho consistente, especialmente nos grandes centros urbanos.


O alto padrão segue dinâmica própria


O mercado de alto padrão apresenta características diferentes.

Nesse segmento, uma parcela significativa dos compradores utiliza recursos próprios, patrimônio acumulado ou modalidades específicas de financiamento.

Isso reduz a dependência direta das taxas bancárias tradicionais.

Além disso, imóveis localizados em regiões valorizadas costumam ser vistos como ativos patrimoniais de longo prazo, atraindo investidores que buscam proteção contra a inflação e diversificação de patrimônio.

Em São Paulo, bairros como:

✓ Jardim Europa.

✓ Jardim Paulista.

✓ Itaim Bibi.

✓ Vila Nova Conceição.

✓ Moema.

✓ Alto de Pinheiros.

✓ Campo Belo.

continuam concentrando boa parte dos lançamentos de alto padrão.


Investidores voltam a olhar o mercado imobiliário


Outro movimento observado nos últimos anos foi o retorno gradual dos investidores ao mercado imobiliário.

Diversos fatores contribuem para isso:

✓ Crescimento da demanda por locação.

✓ Valorização patrimonial de longo prazo.

✓ Busca por diversificação.

✓ Segurança jurídica do setor.

✓ Expansão do aluguel residencial.

✓ Desenvolvimento de regiões próximas ao metrô.

Em bairros com forte geração de empregos e boa infraestrutura de transporte, muitos investidores continuam enxergando oportunidades interessantes para obtenção de renda recorrente.


São Paulo continua liderando a valorização urbana


A capital paulista segue sendo um dos principais motores do mercado imobiliário brasileiro.

Investimentos em mobilidade urbana, expansão do metrô, novos polos corporativos e projetos de requalificação urbana continuam impulsionando a demanda por imóveis.

Entre os fatores que sustentam esse movimento estão:

✓ Expansão da Linha 6-Laranja.

✓ Avanço da Linha 17-Ouro.

✓ Desenvolvimento do eixo Chucri Zaidan.

✓ Crescimento da região da Faria Lima.

✓ Revitalização do Centro.

✓ Novos projetos de uso misto.

✓ Fortalecimento dos bairros próximos ao transporte público.

Esses investimentos ajudam a explicar por que a procura por imóveis permanece elevada mesmo em um cenário econômico desafiador.


O mercado está mudando


A busca por apartamentos maiores deixou de ser a única prioridade dos compradores.

Hoje, muitos consumidores valorizam:

✓ Localização estratégica.

✓ Proximidade do metrô.

✓ Infraestrutura do entorno.

✓ Áreas compartilhadas.

✓ Espaços de coworking.

✓ Sustentabilidade.

✓ Serviços dentro do condomínio.

Essa mudança de comportamento influencia diretamente os lançamentos imobiliários atuais e deve continuar moldando o setor nos próximos anos.


Setor aposta em novos lançamentos, inovação e recuperação gradual do crédito para manter o ritmo de crescimento nos próximos anos


Horizonte urbano com arranha-céus modernos sob céu azul claro, em clima de dia ensolarado.
Vista do mais novo lançamento imobiliário na cidade, destacando-se no horizonte urbano com sua impressionante arquitetura moderna.

O mercado imobiliário brasileiro encerra o primeiro semestre de 2026 com um cenário diferente daquele observado poucos anos atrás. Depois de enfrentar um período marcado por inflação elevada, aumento dos custos da construção e juros altos, o setor começa a demonstrar sinais de adaptação.

Embora a taxa Selic continue influenciando diretamente o crédito imobiliário, incorporadoras passaram a trabalhar com projetos mais eficientes, controle rigoroso de custos e produtos alinhados às novas necessidades dos compradores.

O reajuste médio de aproximadamente 10% nos lançamentos permitiu recompor parte das margens das empresas, criando condições para novos investimentos e ampliando a confiança do setor.


O que pode acontecer com os preços dos imóveis?


Especialistas apontam que o comportamento dos preços continuará sendo influenciado por diversos fatores econômicos.

Entre eles destacam-se:

✓ Taxa Selic.

✓ Inflação.

✓ Custos da construção.

✓ Disponibilidade de crédito.

✓ Oferta de novos empreendimentos.

✓ Crescimento da renda das famílias.

✓ Demanda por moradia.

Caso os custos da construção permaneçam elevados e a procura continue consistente, novos reajustes poderão ocorrer, embora a intensidade dependa das condições econômicas e do comportamento do crédito.


A queda dos juros pode estimular novas compras


Uma eventual redução da taxa básica de juros tende a beneficiar diretamente o mercado imobiliário.

Quando o crédito fica mais acessível, normalmente ocorre:

✓ Aumento da capacidade de financiamento.

✓ Redução do valor das parcelas.

✓ Maior número de compradores aptos.

✓ Crescimento da demanda por imóveis.

✓ Expansão dos lançamentos.

Historicamente, ciclos de redução dos juros costumam estimular tanto compradores de primeira moradia quanto investidores que aguardavam melhores condições de financiamento.


São Paulo continuará liderando o mercado imobiliário


São Paulo permanece como o principal mercado imobiliário do país.

A cidade reúne fatores que sustentam uma demanda constante por imóveis.

✓ Crescimento da população.

✓ Geração de empregos.

✓ Expansão do transporte sobre trilhos.

✓ Novos polos corporativos.

✓ Requalificação urbana.

✓ Oferta diversificada de empreendimentos.

Bairros como Vila Olímpia, Brooklin, Pinheiros, Butantã, Campo Belo, Moema, Perdizes, Bela Vista e Chucri Zaidan continuam concentrando parte significativa dos lançamentos devido à combinação entre mobilidade, infraestrutura e oferta de serviços.


Tecnologia muda a forma de construir e vender imóveis


A inovação tecnológica também está transformando o setor.

Construtoras e incorporadoras passaram a investir em soluções que tornam os empreendimentos mais eficientes e sustentáveis.

Entre as principais tendências estão:

✓ Tour virtual de apartamentos.

✓ Assinatura digital de contratos.

✓ Automação predial.

✓ Eficiência energética.

✓ Monitoramento inteligente de condomínios.

✓ Espaços de coworking.

✓ Infraestrutura para veículos elétricos.

✓ Áreas compartilhadas multifuncionais.

Esses diferenciais passaram a influenciar diretamente a decisão de compra dos consumidores.


O comportamento do comprador mudou


O perfil do consumidor também evoluiu.

Hoje, além do preço, muitos compradores analisam:

✓ Localização.

✓ Proximidade do metrô.

✓ Potencial de valorização.

✓ Segurança.

✓ Sustentabilidade.

✓ Infraestrutura do condomínio.

✓ Comércio próximo.

✓ Facilidade de deslocamento.

Essa mudança explica por que empreendimentos próximos a estações de metrô e centros empresariais continuam registrando forte interesse.


Vale a pena comprar imóvel em um cenário de juros elevados?


A resposta depende do perfil de cada comprador.

Quem busca moradia costuma avaliar fatores como renda, estabilidade financeira e necessidade de mudança.

Já investidores observam aspectos como:

✓ Potencial de valorização.

✓ Demanda por locação.

✓ Desenvolvimento urbano.

✓ Infraestrutura.

✓ Oferta limitada de terrenos.

Em regiões consolidadas, muitos empreendimentos continuam apresentando boa liquidez mesmo em períodos de crédito mais restrito.


Conclusão


O mercado imobiliário brasileiro demonstra capacidade de adaptação mesmo diante de um cenário econômico desafiador.

O reajuste nos preços dos imóveis novos permitiu que muitas construtoras recuperassem parte das margens pressionadas pelo aumento dos custos da construção, enquanto a demanda permaneceu relativamente consistente em diversos segmentos.

Ao mesmo tempo, fatores como mobilidade urbana, crescimento dos grandes centros, expansão do transporte público e transformação dos hábitos de consumo continuam impulsionando o desenvolvimento do setor.

Para compradores e investidores, compreender essas tendências torna-se essencial para tomar decisões mais conscientes em um mercado cada vez mais competitivo.


Perguntas frequentes (FAQ)


Por que os imóveis ficaram mais caros em 2026?

O aumento foi influenciado principalmente pela elevação dos custos da construção civil, incluindo materiais, mão de obra e despesas financeiras. Parte desses custos foi repassada aos preços dos lançamentos.


A alta da Selic afeta o mercado imobiliário?

Sim. Juros elevados tornam o financiamento mais caro, reduzindo o poder de compra principalmente das famílias que dependem de crédito bancário.


O mercado imobiliário continua aquecido?

Apesar dos desafios econômicos, diversos segmentos mantêm demanda consistente, especialmente em regiões com boa infraestrutura e mobilidade.


Vale a pena investir em imóveis atualmente?

A decisão depende dos objetivos do comprador, da localização do imóvel e das condições financeiras. Imóveis em áreas consolidadas costumam apresentar maior liquidez e potencial de valorização no longo prazo.


Quais fatores mais influenciam a valorização de um imóvel?

Localização, mobilidade, infraestrutura urbana, oferta de serviços, segurança, qualidade do empreendimento e desenvolvimento da região são alguns dos principais fatores.


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