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Reforma Tributária pode aumentar carga para 56,6% das empresas analisadas, aponta estudo apresentado em São Paulo

Foto do escritor: Henrique Ferreira
Henrique Ferreira
há 16 horas
9 min de leitura

Levantamento apresentado no Tax Experience 2026 analisou 1.980 empresas e aponta indústria como o segmento com maior proporção de companhias projetadas para ter aumento de carga tributária.


Palestrante em palco de conferência azul fala ao microfone, com painel taxexperience e público sentado ao fundo.
 Participantes acompanham os painéis e palestras do Tax Experience 2026, realizado no Rosewood São Paulo em 16 de setembro. O encontro reuniu empresários, executivos e especialistas para discutir Reforma Tributária, economia, inteligência artificial, investimentos e estratégias empresariais.

A Reforma Tributária voltou ao centro das discussões empresariais em São Paulo nesta quarta-feira, 16 de setembro, durante a quarta edição do Tax Experience. O encontro, realizado no Rosewood São Paulo, reuniu cerca de 750 empresários, presidentes, diretores financeiros e executivos para discutir os efeitos das mudanças tributárias, dos juros elevados e do cenário econômico sobre as empresas brasileiras.


Um dos principais dados apresentados durante o evento veio do Data Tax, núcleo de inteligência do Tax Group. Segundo o levantamento, 56,6% das empresas analisadas apresentam projeção de aumento da carga tributária após a implementação do novo sistema.


O estudo considera 1.980 companhias que já tiveram seus relatórios de Reforma Tributária Inteligente concluídos. Juntas, essas empresas representam R$ 47,4 bilhões em faturamento anual e estão distribuídas por sete segmentos, 19 estados e três regimes tributários.

Os números, entretanto, representam uma projeção dentro da amostra analisada pelo Tax Group. Eles não constituem uma estimativa oficial do governo federal sobre o impacto da reforma para todas as empresas brasileiras.


Indústria aparece como setor mais exposto no levantamento


Entre os segmentos analisados, a indústria apresentou a maior proporção de empresas com projeção de aumento da carga tributária.

Segundo o Data Tax, 62,7% das empresas industriais incluídas na amostra apresentam projeção de elevação da carga.

Na sequência aparecem comércio varejista, com 56,6%, serviços, com 55,6%, transporte e logística, com 54,5%, e comércio atacadista, com 50%.

Os percentuais mostram que o impacto projetado não é uniforme entre as atividades econômicas.

Cada empresa poderá sentir a mudança de maneira diferente conforme fatores como estrutura de custos, localização, regime tributário, cadeia de fornecedores, perfil dos clientes, possibilidade de geração e aproveitamento de créditos e características específicas da operação.


Projeção financeira mostra diferença menor entre perdas e economias


Embora o número de empresas com projeção de aumento seja superior ao das companhias que apresentam redução, o impacto financeiro agregado calculado pelo estudo ficou mais próximo.

De acordo com o levantamento apresentado no evento, as empresas projetadas com aumento de carga somam R$ 329,44 milhões em custos tributários adicionais por ano.

Já as companhias com projeção de redução concentram R$ 317,64 milhões em economia tributária anual.

A diferença entre os dois grupos é de aproximadamente R$ 11,8 milhões por ano dentro da amostra.

Isso significa que a quantidade de empresas afetadas e o tamanho financeiro do impacto não são necessariamente proporcionais.

Uma empresa pode ter uma pequena alteração percentual na carga e representar um impacto financeiro muito maior do que outra companhia de menor faturamento.


Reforma Tributária começa a mudar a rotina das empresas


A discussão ganhou importância porque a Reforma Tributária sobre o consumo já entrou em sua fase de implementação.

Segundo a Receita Federal, 2026 é o ano de teste do novo modelo, com destaque para a CBS e o IBS nos documentos fiscais e para a adaptação dos sistemas empresariais.

A reforma prevê a criação da Contribuição sobre Bens e Serviços, a CBS, de competência federal, e do Imposto sobre Bens e Serviços, o IBS, de competência estadual e municipal.

O novo sistema também prevê o Imposto Seletivo.

Na transição, PIS e Cofins serão substituídos pela CBS, enquanto ICMS e ISS serão gradualmente substituídos pelo IBS.

A implementação completa do novo modelo está prevista para 2033.


2026 é um ano de adaptação tecnológica e fiscal


Para as empresas, a mudança não envolve apenas o valor dos tributos.

Também será necessário adaptar sistemas de emissão de notas fiscais, processos contábeis, contratos, cadastros, formação de preços e controles internos.

A Receita Federal informa que, desde 1º de janeiro de 2026, documentos fiscais eletrônicos devem incorporar informações relacionadas à CBS e ao IBS conforme as regras e os leiautes definidos para cada documento.

A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS também estabeleceram um cronograma específico para a implementação dos documentos fiscais eletrônicos relacionados à reforma.

Isso faz com que a preparação das empresas tenha uma dimensão operacional além da discussão puramente tributária.


O que muda a partir de 2027?


A partir de 2027, começa uma nova etapa da transição.

Segundo o cronograma oficial, haverá cobrança da CBS em novo formato, extinção do PIS e da Cofins e instituição do Imposto Seletivo.

O IBS continuará em uma fase inicial de transição, enquanto ICMS e ISS serão reduzidos gradualmente entre 2029 e 2032.

A vigência integral do novo modelo está prevista para 2033.

Para as empresas, isso significa que decisões tomadas ainda em 2026 podem influenciar processos que continuarão sendo ajustados nos próximos anos.


Simples Nacional também entra na adaptação


As mudanças alcançam também as empresas do Simples Nacional.

A Receita Federal informou que setembro de 2026 marca um novo período de decisões para micro e pequenas empresas em relação ao Simples Nacional e à forma de recolhimento do IBS e da CBS em 2027.

O prazo informado pela Receita para determinadas opções termina em 30 de setembro de 2026.

O Comitê Gestor do Simples Nacional também atualizou as regras para incorporar IBS e CBS ao regime e adequar procedimentos à Reforma Tributária.


Juros elevados aumentam a pressão sobre as empresas


A Reforma Tributária não foi discutida isoladamente no Tax Experience.

Outro tema recorrente foi o impacto dos juros elevados sobre a indústria e sobre o ambiente empresarial.

Em um cenário de crédito mais caro, empresas precisam administrar simultaneamente custos financeiros, investimentos, capital de giro e mudanças tributárias.

Essa combinação pode aumentar a importância do planejamento financeiro e tributário.

Uma alteração na carga tributária pode afetar não apenas o resultado contábil, mas também a formação de preços, o fluxo de caixa e a capacidade de investimento.


Reforma Tributária pode mudar a formação de preços


Um dos pontos que tende a ganhar importância durante a transição é a formação do preço final dos produtos e serviços.

Quando a estrutura de tributos muda, empresas precisam reavaliar como os impostos entram nos custos e como os créditos tributários são aproveitados ao longo da cadeia.

Por isso, duas empresas do mesmo setor podem apresentar resultados diferentes diante da mesma legislação.

A estrutura de fornecedores, clientes, localização e operações pode alterar significativamente o resultado final.

O estudo apresentado pelo Tax Group procura justamente identificar essas diferenças dentro das empresas analisadas.


CEO do Tax Group destaca necessidade de eficiência


Durante o evento, Luis Wulff, CEO do Tax Group, relacionou a adaptação tributária à necessidade de aumentar a eficiência operacional.

Segundo Wulff, a discussão sobre impostos precisa ser acompanhada por uma análise mais ampla das margens e dos custos das empresas.

A avaliação apresentada durante o evento é que juros elevados e mudanças tributárias podem ocorrer simultaneamente, exigindo maior capacidade de planejamento por parte das companhias.


Geopolítica também entrou no debate


O cenário internacional foi outro eixo do Tax Experience 2026.

O professor e cientista político Heni Ozi Cukier, conhecido como HOC, discutiu as mudanças na ordem econômica internacional, as disputas comerciais entre Estados Unidos e China e o avanço de políticas de proteção industrial.

Para empresas brasileiras, esse ambiente pode afetar cadeias de fornecimento, custos de importação, exportações, investimentos e decisões relacionadas à produção.

A geopolítica, portanto, deixou de ser um tema restrito à política internacional e passou a fazer parte das discussões estratégicas de grandes empresas.


Diversificação e proteção de capital também foram discutidas


Renata Barreto, partner da Faz Capital, participou do evento em um painel dedicado à proteção de capital e à diversificação de investimentos.

A discussão ocorreu em um momento marcado por incertezas econômicas e pelo calendário eleitoral brasileiro.

A proposta do painel foi discutir estratégias de investimento sem depender de uma aposta específica sobre o resultado eleitoral.


Mais de 25 painelistas participaram do evento


A programação reuniu mais de 25 painelistas e palestrantes.

Entre as empresas representadas estiveram nomes de companhias como SAP, Google, Michelin, Simpar, Decolar, CIMED, FuelTech, Mars, Yara, Cantu Alimentos, Wine, SIEG, Ibatri, TPZ, TEWA e Amoveri Farma.

Os debates passaram por diferentes áreas da gestão empresarial, incluindo macroeconomia, inteligência artificial, ESG, eficiência operacional, tendências tributárias e perspectivas setoriais.


Inteligência artificial também entrou na agenda


A inteligência artificial apareceu entre os assuntos discutidos durante o encontro.

Para departamentos financeiros e tributários, o uso de tecnologia pode ganhar importância com o aumento da quantidade de dados e das novas obrigações decorrentes da reforma.

A adaptação aos novos documentos fiscais, por exemplo, exige sistemas preparados para lidar com os novos campos, regras e processos.

Nesse contexto, tecnologia e gestão tributária passam a estar cada vez mais conectadas.


O que o levantamento significa para as empresas?


O principal alerta apresentado no Tax Experience é que a Reforma Tributária não deve produzir exatamente o mesmo efeito para todas as empresas.

Dentro da amostra estudada pelo Data Tax, 56,6% apresentam projeção de aumento da carga, enquanto 43,4% apresentam projeção de redução.

A diferença entre os grupos reforça a importância de analisar cada operação individualmente.

O resultado também mostra que não é suficiente avaliar apenas a alíquota de um tributo.

A estrutura completa do sistema, incluindo créditos, débitos, fornecedores, clientes e regime tributário, será determinante para o impacto final.


Por que a preparação antecipada ganhou importância?


A transição para o novo sistema será gradual e se estenderá até 2033.

Isso significa que as empresas terão vários anos de convivência com regras antigas e novas.

Durante esse período, sistemas, processos e contratos precisarão ser adaptados.

A Receita Federal já vem publicando orientações, cronogramas e regulamentações para permitir que contribuintes e desenvolvedores de sistemas façam essa adaptação.

A preparação antecipada pode permitir que as empresas identifiquem impactos sobre preços, margens e operações antes que as mudanças se tornem definitivas.


Tax Experience coloca 2027 no radar das empresas


Embora a Reforma Tributária tenha uma transição longa, 2027 aparece como um dos principais marcos para as empresas.

É nesse momento que começa uma nova etapa da cobrança da CBS e ocorre a extinção de PIS e Cofins, além da entrada do Imposto Seletivo.

Por isso, decisões tomadas ainda em 2026 podem ter reflexos sobre orçamento, contratos, sistemas e planejamento empresarial nos anos seguintes.

O cenário discutido no Tax Experience mostra que a questão tributária está cada vez mais integrada a decisões de finanças, tecnologia, governança e estratégia.


São Paulo concentra debates sobre o futuro das empresas


A realização do Tax Experience no Rosewood São Paulo também reforça o papel da capital como centro de eventos empresariais e discussões econômicas.

São Paulo concentra empresas de diferentes setores, instituições financeiras, consultorias, escritórios jurídicos e profissionais especializados em tributação e negócios.

O ambiente empresarial da cidade também está relacionado ao avanço de setores como tecnologia, inovação e serviços.

O Viva Bem SP já mostrou, por exemplo, o crescimento da relevância de São Paulo como polo de inovação e negócios.


O que as empresas devem acompanhar até 2027?


A transição tributária exige atenção a vários pontos.

A evolução das regulamentações do IBS e da CBS será um deles.

Também será necessário acompanhar os leiautes dos documentos fiscais, os sistemas de emissão, as regras de créditos tributários e as alterações específicas para cada regime e setor.

Para pequenas empresas, as decisões relacionadas ao Simples Nacional também ganharam importância em 2026.

A própria Receita Federal vem ampliando a publicação de orientações e regras para apoiar a adaptação dos contribuintes.


Perguntas frequentes


O estudo afirma que 56,6% de todas as empresas brasileiras terão aumento de impostos?

Não. O percentual de 56,6% corresponde às empresas analisadas pelo Data Tax no levantamento apresentado no Tax Experience 2026. Foram consideradas 1.980 companhias com relatórios de Reforma Tributária Inteligente concluídos.


Qual setor apresentou maior percentual de empresas com aumento projetado?

A indústria, com 62,7% das empresas da amostra apresentando projeção de aumento da carga tributária.


Quanto as empresas com aumento de carga podem pagar a mais?

Dentro da amostra analisada, a projeção apresentada pelo Data Tax soma R$ 329,44 milhões em custos tributários adicionais por ano.


E as empresas que podem ter redução?

O levantamento estima R$ 317,64 milhões em economia tributária anual para as empresas da amostra com projeção de redução.


Quando começa a nova etapa da Reforma Tributária?

A transição já começou em 2026. Em 2027 ocorre uma nova etapa, com a cobrança da CBS em novo formato, extinção do PIS e da Cofins e instituição do Imposto Seletivo.


Quando o novo sistema estará totalmente implantado?

A vigência integral do novo modelo está prevista para 2033.


O Simples Nacional será afetado?

Sim. A regulamentação do Simples Nacional está sendo adaptada para incorporar as mudanças relacionadas ao IBS e à CBS.


Por que a Reforma Tributária exige mudanças nos sistemas das empresas?

Porque a transição envolve novas informações nos documentos fiscais, novos tributos e alterações nos processos de apuração e controle. A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS já estabeleceram cronogramas para a adaptação dos documentos fiscais eletrônicos.


Conclusão


O Tax Experience 2026 colocou no centro do debate empresarial uma questão que deverá acompanhar as empresas brasileiras durante os próximos anos: como adaptar operações, preços, sistemas e planejamento à Reforma Tributária.

O levantamento apresentado pelo Data Tax indica que 56,6% das empresas analisadas apresentam projeção de aumento da carga tributária, enquanto 43,4% apresentam projeção de redução. A indústria aparece com a maior proporção de companhias projetadas para aumento.

Os números, porém, devem ser interpretados dentro do universo analisado e não como uma previsão para todas as empresas brasileiras.

O que já está definido é que a transição tributária começou em 2026 e continuará até 2033. Nesse período, empresas precisarão lidar com novas regras, sistemas fiscais, mudanças nos tributos e diferentes etapas de implementação.

Com juros, cenário internacional, tecnologia e questões tributárias acontecendo simultaneamente, a gestão empresarial passa a exigir uma visão cada vez mais integrada de custos, caixa, eficiência e estratégia.


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