São Paulo entra em alerta para chuva forte, vendaval e granizo; veja onde o risco é maior

Defesa Civil renovou o alerta entre segunda-feira (21) e quarta-feira (23); Capital, Grande São Paulo, Baixada Santista e Litoral Norte podem ter acumulados de até 90 milímetros

São Paulo começa a semana novamente sob atenção para temporais. A Defesa Civil do Estado renovou o alerta para o período entre esta segunda-feira, 21 de setembro, e quarta-feira, 23, com previsão de chuva forte, raios, rajadas de vento e possibilidade de granizo em diferentes regiões paulistas.
Na Capital e na Região Metropolitana de São Paulo, o cenário exige atenção especial porque o estado atravessa um mês de setembro marcado por volumes de chuva muito acima do padrão histórico.
Segundo o alerta divulgado nesta segunda-feira, os maiores acumulados são esperados na Baixada Santista, no Litoral Norte, na Capital e na Região Metropolitana, com volumes entre 70 e 90 milímetros.
O Inmet também havia apontado, antes do início desta nova sequência de instabilidade, que a passagem de um ciclone extratropical pela Argentina e o avanço de uma frente fria favoreceriam o aumento da instabilidade sobre o Sul do Brasil, Mato Grosso do Sul e o sul de São Paulo.
Por que o alerta preocupa a cidade de São Paulo?
A preocupação não está apenas na quantidade de chuva prevista.
O solo da capital e de parte da Região Metropolitana já recebeu volumes elevados ao longo de setembro. Com o solo mais úmido, novas precipitações podem aumentar o risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos, principalmente em áreas historicamente vulneráveis.
O alerta da Defesa Civil também considera a possibilidade de ventos fortes e granizo, fenômenos que podem provocar quedas de árvores, danos em estruturas e interrupções no fornecimento de energia.
Em situações de tempestade, os transtornos podem aparecer rapidamente, especialmente em áreas próximas a córregos, rios, fundos de vale e regiões com problemas de drenagem.
Setembro de 2026 já bateu recorde histórico de chuva
O novo alerta ocorre depois de a cidade de São Paulo registrar um setembro excepcionalmente chuvoso.
No Mirante de Santana, na Zona Norte, o Inmet registrou 253,8 milímetros de chuva até as 9h de 14 de setembro. O volume ultrapassou o antigo recorde de setembro, de 243,1 milímetros, registrado em 1983.
A média climatológica de setembro na estação é de 83,3 milímetros.
Ou seja, antes mesmo de o mês chegar à metade, a capital já havia superado em mais de três vezes o volume médio esperado para todo setembro.
O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da Prefeitura também apontou que setembro de 2026 havia se tornado o mês mais chuvoso de sua série histórica, iniciada em 1995.
Chuva forte pode aumentar risco de alagamentos
Quando grandes volumes de chuva caem em pouco tempo, a capacidade de drenagem da cidade pode ser ultrapassada.
Em São Paulo, esse problema é agravado pela elevada impermeabilização do solo. Asfalto, concreto e construções reduzem a infiltração da água e fazem com que uma parcela maior da chuva chegue rapidamente às galerias, córregos e rios.
Quando a vazão supera a capacidade do sistema, podem ocorrer pontos de alagamento.
A situação é ainda mais delicada em regiões próximas às várzeas dos rios Tietê e Pinheiros e junto a córregos que atravessam áreas densamente ocupadas.
Jardim Pantanal continua entre as áreas mais vulneráveis
O alerta chega poucos dias depois de novos episódios de transbordamento do Rio Tietê na Grande São Paulo.
O Jardim Pantanal, na Zona Leste, voltou a ser afetado pelas cheias durante a sequência de chuvas de setembro. A região está localizada em uma área de várzea e historicamente apresenta vulnerabilidade a inundações.
O problema é resultado de uma combinação de fatores, incluindo características naturais da várzea, ocupação urbana, drenagem e comportamento hidrológico do Rio Tietê.
O Governo do Estado e a Prefeitura mantêm diferentes programas e obras para tentar reduzir a exposição da população.
Entre as medidas estão desassoreamento, drenagem, recuperação de margens, estruturas de contenção, reservatórios e reassentamento de famílias em áreas de maior risco.
Rio Tietê passa por ações de desassoreamento
Uma das principais medidas adotadas pelo Governo paulista é o desassoreamento do sistema do Alto Tietê.
Em setembro, a SP Águas informou que mais de 371,9 mil metros cúbicos de sedimentos haviam sido retirados na região do Jardim Pantanal.
A retirada de sedimentos aumenta a capacidade de escoamento dos cursos d'água, mas não elimina sozinha o risco de enchentes.
O problema depende também das condições meteorológicas, do nível dos rios, da drenagem urbana, da ocupação das várzeas e de outras estruturas hidráulicas.
O próprio sistema de controle de cheias do Tietê envolve diferentes componentes, que precisam funcionar de maneira integrada.
O que esperar até quarta-feira?
A previsão indica que a instabilidade deve continuar durante os próximos dias.
Nesta segunda-feira, as pancadas podem ocorrer de maneira localizada e variar bastante de intensidade.
A partir de terça-feira, 22, a tendência indicada pela Defesa Civil é de intensificação e ampliação das áreas sujeitas às chuvas mais fortes.
Além da Capital e da Grande São Paulo, outras regiões do estado também estão incluídas no alerta.
Na Baixada Santista e no Litoral Norte, os acumulados previstos estão entre 70 e 90 milímetros.
Em regiões como Serra da Mantiqueira, São José dos Campos, Campinas, Sorocaba, Registro, Itapeva, Marília, Bauru, Presidente Prudente, Araraquara, São José do Rio Preto, Araçatuba, Barretos, Franca e Ribeirão Preto, a previsão indicada no alerta fica entre 50 e 70 milímetros.
Vendaval aumenta risco de queda de árvores
Outro ponto de atenção é o vento.
Rajadas associadas a tempestades podem derrubar árvores, galhos, placas, estruturas temporárias e outros objetos.
Em São Paulo, quedas de árvores também podem bloquear ruas e avenidas, prejudicar a circulação de ônibus e interromper redes elétricas.
Durante uma tempestade, a recomendação é evitar permanecer próximo a árvores, estruturas metálicas, postes e locais abertos.
Motoristas também devem redobrar a atenção, principalmente em áreas sujeitas a alagamentos.
Granizo pode causar danos
A possibilidade de granizo também aparece no alerta meteorológico.
As pedras de gelo podem atingir veículos, telhados, vidros e outras estruturas.
Apesar de normalmente ocorrer durante períodos curtos, uma tempestade com granizo pode provocar danos localizados e aparecer acompanhada de raios e ventos fortes.
Por isso, a orientação é buscar abrigo em local seguro assim que houver sinais de tempestade.
O que fazer durante uma tempestade em São Paulo?
Durante chuvas fortes, algumas medidas reduzem a exposição aos riscos.
Quem estiver na rua deve procurar um local seguro e evitar áreas abertas, árvores, postes e estruturas que possam ser atingidas pelo vento.
Motoristas não devem tentar atravessar pontos de alagamento. A profundidade da água pode ser difícil de avaliar e a correnteza pode comprometer a estabilidade do veículo.
Em áreas próximas a rios e córregos, também é importante acompanhar os alertas oficiais e evitar permanecer em locais sujeitos a transbordamentos.
Em caso de raios, a orientação é permanecer dentro de uma edificação ou veículo fechado e evitar contato com estruturas metálicas.
Chuva também exige atenção nas áreas de encosta
O excesso de chuva aumenta a preocupação com deslizamentos em áreas de encosta.
O solo encharcado pode perder estabilidade, principalmente quando já existem sinais anteriores de movimentação.
Trincas novas em paredes ou terrenos, portas e janelas que passam a apresentar dificuldade para abrir, postes ou árvores inclinados e surgimento de água em locais incomuns podem indicar problemas que precisam ser avaliados.
Moradores devem acompanhar os alertas da Defesa Civil e, diante de uma situação de risco, procurar um local seguro.
Lixo nas ruas pode agravar os alagamentos
A chuva também evidencia outro problema urbano: o descarte irregular de resíduos.
Em períodos de temporais, materiais deixados nas ruas podem ser carregados pela água e chegar a bueiros, galerias e córregos.
Quando resíduos bloqueiam estruturas de drenagem, a água pode encontrar mais dificuldade para escoar.
Isso não significa que o lixo seja a causa das enchentes, que possuem múltiplos fatores, mas a obstrução de sistemas de drenagem pode aumentar os transtornos em determinados pontos.
Por isso, a destinação correta dos resíduos é uma medida simples que ajuda a preservar a capacidade de drenagem da cidade.
Por que o momento exige atenção especial?
O novo alerta ocorre em um momento diferente de uma chuva isolada de verão.
Setembro de 2026 já acumulou volumes excepcionais na capital e provocou impactos em rios, córregos, vias e áreas de várzea.
O solo mais úmido significa que novas chuvas podem encontrar condições diferentes das observadas no início do mês.
Por isso, mesmo quando determinado bairro não apresenta problemas durante uma primeira pancada, uma sequência de tempestades pode elevar gradualmente o risco.
O que pode acontecer nas próximas horas?
A intensidade da chuva pode variar significativamente entre bairros.
É possível que uma região da cidade registre uma tempestade forte enquanto outra tenha apenas chuva moderada.
Por isso, previsões para a cidade inteira não substituem os alertas de curto prazo.
O acompanhamento deve ser feito pelos canais oficiais da Defesa Civil, do CGE e do Inmet.
Em situações de emergência, a população deve seguir as orientações das autoridades locais.
Perguntas frequentes
Até quando vale o alerta de chuva em São Paulo?
O alerta divulgado nesta segunda-feira, 21 de setembro, vale até quarta-feira, 23 de setembro de 2026.
São Paulo pode ter granizo?
Sim. A previsão inclui possibilidade de queda de granizo em diferentes áreas do estado durante o período de instabilidade.
A Capital está entre as áreas de maior atenção?
Sim. Capital e Região Metropolitana estão entre as áreas com previsão de maiores acumulados, juntamente com Baixada Santista e Litoral Norte.
Quanto pode chover?
Para Capital, Região Metropolitana, Baixada Santista e Litoral Norte, os acumulados previstos ficam entre 70 e 90 milímetros.
Existe risco de alagamento?
Sim. A combinação de chuva forte, solo já úmido e sistemas de drenagem sobrecarregados pode aumentar o risco de alagamentos e enxurradas.
Setembro de 2026 já é o setembro mais chuvoso de São Paulo?
Sim, segundo as séries utilizadas pelo Inmet e pelo CGE. O Mirante de Santana já havia superado em 14 de setembro o recorde histórico de setembro registrado em 1983.
O que fazer se a água começar a subir?
A recomendação é deixar áreas sujeitas a alagamento, procurar um local seguro e acompanhar as orientações da Defesa Civil. Motoristas não devem atravessar áreas inundadas.
São Paulo deve continuar em atenção nos próximos dias
O novo alerta reforça uma situação que a capital já enfrenta há semanas: um período de chuva excepcional em setembro.
A previsão de novos temporais não significa que todos os bairros terão os mesmos volumes ou impactos. A distribuição da chuva pode ser irregular e variar rapidamente.
Mas, diante do recorde de precipitação já registrado e das condições de rios, solo e drenagem, a atenção deve permanecer elevada.
Para os moradores, acompanhar os alertas oficiais e evitar situações de exposição durante tempestades é uma das principais medidas de prevenção.
Para a cidade, o episódio volta a mostrar a importância de investimentos contínuos em drenagem, recuperação ambiental, gestão dos rios, manutenção de sistemas de escoamento e planejamento urbano.
A chuva faz parte do clima de São Paulo. O desafio é reduzir os impactos quando ela chega com intensidade acima da capacidade de absorção da cidade.




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