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Tarcísio fala em “falsa comunicação de crime” após investigação sobre motorista de Haddad

16 de ago.
7 min de leitura

Governador de São Paulo afirmou que análise de imagens e dados das viaturas não encontrou evidências de perseguição ao motorista de Fernando Haddad. Polícia Civil investiga o caso, e o condutor deverá prestar depoimento.


Homem de terno fala ao microfone diante das bandeiras do Brasil e de São Paulo, com expressão séria e a frase Ordem e Progresso.
Tarcísio de Freitas afirmou que as evidências reunidas até agora não confirmam a perseguição relatada pelo motorista de Fernando Haddad.

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou neste domingo (16) que as informações obtidas durante a investigação sobre uma suposta perseguição da Polícia Militar ao motorista de Fernando Haddad (PT) apontam para a possibilidade de uma “falsa comunicação de crime”. A declaração foi dada em meio ao início oficial da campanha eleitoral para o governo paulista.

O episódio aconteceu na noite de terça-feira (11), quando o motorista de Haddad afirmou ter sido seguido por uma viatura da PM depois de deixar o candidato em sua residência, na Zona Sul de São Paulo.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) abriu uma apuração e informou que foram analisadas imagens de mais de 70 câmeras de segurança, além de dados de GPS das viaturas. Segundo a pasta, até o momento não foram identificadas imagens que comprovem uma abordagem ou perseguição ao veículo.


O que Tarcísio disse sobre o caso


Durante uma agenda de campanha neste domingo, Tarcísio afirmou que a análise realizada até agora não confirma a versão apresentada pelo motorista.

O governador disse que as imagens e os dados disponíveis apontam para uma possível comunicação falsa de crime e que o motorista deverá ser ouvido pela Polícia Civil.

A declaração ocorre em um momento politicamente sensível. Tarcísio e Haddad são adversários na disputa pelo Governo de São Paulo e repetem, em 2026, o confronto eleitoral que ocorreu na eleição presidencial de 2022, quando ambos disputaram a liderança do estado em diferentes posições no cenário político.


Motorista de Haddad relatou ter sido seguido por uma viatura


Homem de terno fala ao microfone em púlpito; ao fundo, painel vermelho com o texto EM DEFESA DE SÃO PAULO.
Tarcísio de Freitas comenta sobre a falta de evidências que confirmem perseguição relatada, em evento com painel destacando a defesa de São Paulo.

A versão apresentada pelo motorista é diferente da conclusão preliminar divulgada pela SSP.

Segundo relatos obtidos pelo UOL, o condutor afirmou por mensagens que uma viatura da Polícia Militar teria acompanhado seu veículo depois que ele deixou Haddad em casa.

Ele relatou que os policiais teriam se aproximado do carro, seguido seu trajeto e permanecido nas proximidades enquanto ele parava em um posto e posteriormente entrava no estacionamento de um hotel. Em determinado momento, segundo o relato, o motorista teria questionado os policiais sobre o motivo da presença da viatura.

A campanha de Haddad mantém a versão apresentada pelo motorista e pediu uma perícia sobre as imagens utilizadas na investigação.


SSP diz que analisou mais de 70 câmeras


A Secretaria da Segurança Pública informou que a investigação analisou imagens de diferentes pontos do trajeto.

Em uma das gravações divulgadas, o carro do motorista aparece estacionado em frente a um hotel na Vila Mariana. Posteriormente, uma viatura passa pelo local.

Segundo a SSP, as imagens não mostram uma abordagem ou interação entre os policiais e o motorista.

A secretaria também afirmou que a análise de aproximadamente 70 câmeras não encontrou indícios de perseguição.

O governo estadual informou ainda que os dados de GPS das viaturas estão sendo utilizados para reconstruir o deslocamento das equipes envolvidas.


O que aparece nas imagens divulgadas


Uma das imagens apresentadas pela SSP mostra o veículo do motorista chegando a um hotel às 21h58.

Segundo a descrição divulgada pelo UOL, uma viatura passa pelo local às 22h24, sem parar para abordar o carro.

O motorista deixa a região cerca de dois minutos depois.

A campanha de Haddad, entretanto, questiona a interpretação das imagens e afirma que o episódio teria ocorrido durante um período mais longo.

O advogado da campanha relatou que o motorista afirmou ter sido acompanhado durante aproximadamente 40 minutos, além de ter percebido aproximações da viatura e o uso de luzes direcionadas ao veículo.


Polícia Civil investiga o episódio


O caso não foi encerrado.

A Polícia Civil abriu investigação para esclarecer o que aconteceu e deverá ouvir o motorista.

A análise de imagens de segurança e dos dados das viaturas faz parte da apuração para determinar se houve efetivamente acompanhamento do veículo, se os policiais estavam realizando outra diligência ou se o relato apresentado não corresponde ao que ocorreu.

Por enquanto, a expressão “falsa comunicação de crime” é uma hipótese levantada pelo governador com base nos elementos apresentados até o momento. Não se trata de uma conclusão judicial definitiva sobre a responsabilidade do motorista.


Por que a investigação ganhou dimensão política?


O episódio ocorreu poucos dias antes do início oficial das campanhas para o Governo de São Paulo.

Haddad e Tarcísio são os principais nomes da disputa estadual, e o caso rapidamente passou a integrar o debate eleitoral.

Haddad afirmou que buscaria esclarecimentos do governo estadual sobre a atuação dos policiais. A campanha também solicitou uma análise técnica das imagens.

Tarcísio, por sua vez, passou a defender publicamente a apuração e afirmou que as informações disponíveis até agora não sustentam a acusação de perseguição.


Haddad questionou a atuação da Polícia Militar


Antes da manifestação mais recente de Tarcísio, Haddad havia afirmado que considerava o comportamento atribuído aos policiais fora do padrão esperado.

O candidato disse que seu motorista teria sido seguido de forma ostensiva depois de deixá-lo em casa e demonstrou preocupação com a segurança da equipe e da família.

A Secretaria da Segurança Pública confirmou que recebeu o relato e que o secretário Osvaldo Nico Gonçalves entrou em contato com Haddad para obter informações sobre o episódio.


Governo diz que viatura estava em outra ocorrência


A investigação também busca esclarecer por que a viatura estava circulando pela região.

Segundo informações divulgadas pela SSP, a equipe policial estaria realizando diligências relacionadas à localização de suspeitos de furto.

A secretaria informou que, na apuração preliminar, não havia indícios de que os policiais tivessem agido com o objetivo de intimidar Haddad ou sua equipe.

Ainda assim, o caso permanece sob investigação.


Ministério Público Eleitoral acompanha o caso


O episódio também chegou ao Ministério Público Eleitoral.

O órgão solicitou esclarecimentos ao governo paulista sobre a atuação policial e determinou que a administração apresentasse informações sobre o episódio.

A atuação do Ministério Público Eleitoral ganha relevância porque o caso ocorreu durante o período de preparação e início da campanha eleitoral e envolve diretamente um candidato ao governo estadual.


Tarcísio e Haddad disputam novamente o cenário político paulista


A tensão entre os dois candidatos ocorre em uma eleição marcada pela tentativa de Tarcísio de conquistar um segundo mandato e pelo retorno de Haddad à disputa estadual.

Tarcísio lançou oficialmente sua campanha neste domingo, em Osasco, com apoio de uma ampla aliança partidária.

Haddad também iniciou sua campanha com forte associação à imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e busca recuperar espaço especialmente na região metropolitana de São Paulo.

O episódio envolvendo o motorista acrescenta mais um ponto de conflito entre as duas campanhas.


O caso ainda não tem uma conclusão definitiva


Apesar da declaração de Tarcísio, a investigação ainda não terminou.

A análise das câmeras e dos dados de GPS é um elemento da apuração, mas a conclusão sobre eventual falsa comunicação dependerá do conjunto das provas e das informações apresentadas pelos envolvidos.

Também será necessário ouvir o motorista e esclarecer as circunstâncias descritas em seu relato.

Por isso, neste momento, é preciso diferenciar três pontos: o que o motorista afirma ter acontecido, o que as imagens divulgadas mostram e o que a investigação policial concluirá ao final.


O que acontece agora?


O motorista deverá ser ouvido pela Polícia Civil, que continuará analisando as imagens e demais informações relacionadas ao trajeto.

A investigação poderá esclarecer se houve acompanhamento da viatura, qual era a finalidade da atuação policial naquela região e se houve algum tipo de abordagem que não tenha sido registrada pelas câmeras analisadas.

Caso a hipótese de falsa comunicação seja confirmada pelas autoridades, o episódio poderá ter consequências jurídicas para o responsável pelo relato.

Até que a investigação seja concluída, porém, qualquer responsabilização definitiva seria prematura.


Caso coloca segurança pública no centro da campanha


Além da disputa entre os dois candidatos, o episódio recoloca a segurança pública no centro do debate eleitoral em São Paulo.

Tarcísio utiliza os resultados da política de segurança de seu governo como um dos principais argumentos de campanha.

Haddad, por outro lado, vem criticando diferentes áreas da administração estadual e pretende transformar segurança, saúde, educação e privatizações em temas importantes de sua campanha.

A discussão sobre a atuação da PM, portanto, deverá continuar sendo explorada pelos dois lados durante a campanha.


Perguntas frequentes


O que aconteceu com o motorista de Haddad?

O motorista de Fernando Haddad afirmou que teria sido seguido por uma viatura da Polícia Militar depois de deixar o candidato em sua residência, na Zona Sul de São Paulo, na noite de 11 de agosto.


Tarcísio confirmou que houve perseguição?

Não. O governador afirmou que as imagens e os dados analisados até agora não confirmam uma perseguição e mencionou a possibilidade de falsa comunicação de crime.


A Polícia Civil está investigando o caso?

Sim. O episódio está sendo investigado, com análise de imagens e dados de GPS das viaturas. O motorista deverá prestar depoimento.


Quantas câmeras foram analisadas?

Segundo a SSP-SP, foram analisadas imagens de mais de 70 câmeras instaladas ao longo do trajeto.


Haddad mantém a versão do motorista?

Sim. A campanha de Haddad mantém o relato de que houve perseguição e solicitou uma perícia sobre as imagens divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública.


O caso já foi encerrado?

Não. A investigação continua e ainda deverá ouvir o motorista e analisar os elementos disponíveis antes de uma conclusão definitiva.


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