Viadutos 25 de Março e Antônio Nakashima devem ser demolidos para transformar Parque Dom Pedro II
- Henrique Ferreira

- há 13 horas
- 9 min de leitura
Estruturas serão substituídas por nova ligação sobre o rio Tamanduateí dentro do projeto de requalificação do Centro Histórico de São Paulo

A Prefeitura de São Paulo pretende demolir os viadutos 25 de Março e Antônio Nakashima, no entorno do Parque Dom Pedro II, como parte de uma ampla transformação urbana prevista para a região central. A intervenção faz parte da PPP do Parque Dom Pedro II, que prevê mudanças no sistema viário, novo terminal intermodal, ampliação das áreas verdes e novas conexões entre o Centro e a região do Brás.
A retirada das duas estruturas ganhou novo impulso depois de uma correção relacionada ao tombamento do Viaduto 25 de Março. A mudança permite avançar com uma intervenção que estava prevista nos estudos de requalificação do parque, mas dependia da solução das restrições patrimoniais.
Por que os viadutos serão demolidos?
A demolição está relacionada a uma mudança na forma como o espaço urbano do Parque Dom Pedro II será organizado.
Em vez de manter as atuais estruturas elevadas como parte principal da circulação de veículos, o projeto prevê reorganizar as vias, ampliar os espaços destinados a pedestres e ciclistas e criar uma nova ligação sobre o rio Tamanduateí.
Os estudos da Prefeitura já previam a demolição dos dois viadutos. O projeto de concessão estabelece que as estruturas sejam retiradas depois da implantação da nova Ponte do Carmo, que assumirá parte da função viária atualmente exercida pelos viadutos.
A proposta faz parte de uma tentativa de reduzir a fragmentação urbana existente no Parque Dom Pedro II e aproximar áreas que hoje são separadas por grandes avenidas, estruturas viárias e pelo próprio rio.
O que será construído no lugar dos viadutos?
A principal mudança será a implantação da nova Ponte do Carmo, acompanhada por uma reorganização das vias no entorno do parque.
A Prefeitura prevê uma ligação que permita reorganizar o deslocamento entre a Avenida Rangel Pestana e a região da Avenida Celso Garcia, criando uma alternativa para os deslocamentos entre o Centro e bairros da Zona Leste.
A proposta também inclui acessos em nível, novas calçadas, ciclovias, faixas exclusivas de ônibus e outras alterações no sistema viário.
A ideia é que a nova configuração não dependa apenas de grandes estruturas elevadas para fazer a conexão entre os dois lados da região.
Como ficará o acesso à Zona Leste?
A mudança interessa principalmente a quem circula entre o Centro e bairros como Brás, Belém e Tatuapé.
Os viadutos fazem parte atualmente de uma malha viária que permite atravessar a área do Parque Dom Pedro II. Com a transformação prevista, essa circulação será redistribuída entre a nova ponte e as vias reorganizadas no entorno.
O projeto não prevê simplesmente a retirada das estruturas sem substituição. A demolição deverá ocorrer depois da implantação da nova conexão, justamente para evitar que a intervenção deixe de oferecer alternativas de circulação. O próprio projeto técnico da Prefeitura estabelece essa sequência.
A operação, porém, ainda depende de estudos técnicos e das aprovações necessárias antes da execução das intervenções.
O que o tombamento tem a ver com a demolição?
A questão patrimonial é um dos pontos mais importantes para entender por que a intervenção voltou ao debate agora.
O Conpresp, Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo, é responsável por analisar e deliberar sobre tombamentos e intervenções em áreas protegidas do município.
O Viaduto 25 de Março estava envolvido em uma área de proteção patrimonial do Centro Histórico. Segundo a reportagem publicada pela Folha, uma correção no tombamento retirou o impedimento que dificultava a remoção da estrutura.
O tema é relevante porque a região reúne patrimônio histórico, infraestrutura de transporte e uma das áreas comerciais mais movimentadas da cidade.
Quanto será investido na transformação do Parque Dom Pedro II?
A requalificação faz parte de uma Parceria Público-Privada de aproximadamente R$ 717,27 milhões, com contrato de 30 anos.
O projeto envolve não apenas os dois viadutos, mas também o Terminal Parque Dom Pedro II, o Terminal Mercado do Expresso Tiradentes, áreas verdes, praças, vias e equipamentos públicos existentes no perímetro da concessão.
A Prefeitura prevê que as intervenções sejam realizadas de forma faseada. As obras obrigatórias deverão ser concluídas até o quinto ano após a emissão da Ordem de Implantação, de acordo com as informações oficiais divulgadas pelo município.
Parque Dom Pedro II ganhará mais áreas verdes
A transformação viária é apenas uma parte do projeto.
A proposta prevê a criação de mais de 100 mil metros quadrados de novas áreas verdes, além da recuperação de espaços existentes. Também estão previstas soluções de drenagem para melhorar a capacidade da região de lidar com chuvas intensas.
Essa mudança tem importância especial porque o Parque Dom Pedro II está localizado em uma área historicamente marcada pela presença de grandes avenidas e estruturas de transporte.
A intenção do projeto é fazer com que o parque deixe de funcionar apenas como uma área atravessada por veículos e passe a ter maior presença de espaços destinados à permanência das pessoas.Novo terminal intermodal também está previsto
Outro componente importante do projeto é a transformação do sistema de transporte público.
A PPP prevê um novo Terminal Intermodal Parque Dom Pedro II, conectado à estação Pedro II do Metrô, ao Expresso Tiradentes e ao futuro BRT da Radial Leste. O projeto também prevê integração com o futuro Bonde São Paulo, caso o sistema avance conforme planejado.
A ideia é concentrar diferentes formas de transporte em uma mesma área e facilitar a conexão entre o Centro e outras regiões da capital.
Com isso, a requalificação do parque não está sendo tratada apenas como uma obra paisagística, mas como uma intervenção de mobilidade urbana.
O projeto também prevê ciclovias e novas calçadas
A reorganização do sistema viário deverá alterar a maneira como pedestres e ciclistas circulam pela região.
Entre as intervenções previstas estão novas ciclovias, ampliação de calçadas e faixas destinadas a motociclistas. Também estão previstas faixas exclusivas para ônibus e alterações em vias do entorno.
A proposta segue uma tendência de projetos urbanos que tentam reduzir a dependência de estruturas exclusivamente voltadas aos automóveis e aumentar a integração entre diferentes meios de transporte.
O que muda para quem frequenta a 25 de Março?
A região da Rua 25 de Março está diretamente relacionada ao projeto porque fica próxima ao Parque Dom Pedro II e ao conjunto de vias que serão reorganizadas.
A Prefeitura afirma que a requalificação deverá melhorar a conexão entre o Mercado Municipal, o Museu Catavento, a Rua 25 de Março e outros equipamentos culturais e turísticos existentes na região.
A mudança pode alterar os trajetos de quem chega ao polo comercial de carro, ônibus, bicicleta ou a pé. Ao mesmo tempo, a criação de novos espaços públicos pretende facilitar a circulação entre áreas que atualmente funcionam de maneira bastante fragmentada.
Parque Dom Pedro II terá ligação com o Brás
Um dos objetivos do projeto é criar uma conexão urbana mais clara entre o Brás e a Colina Histórica, aproximando áreas que hoje são separadas pelo sistema viário.
A Prefeitura prevê um boulevard de conexão e a reestruturação de espaços públicos dentro de uma área total de aproximadamente 200 mil metros quadrados.
Essa integração pode ter impacto não apenas sobre a mobilidade, mas também sobre o comércio, o turismo e a ocupação dos espaços públicos.
O Brás, por exemplo, concentra uma das maiores áreas comerciais populares da cidade, enquanto o lado oeste do parque reúne equipamentos como o Mercado Municipal, o Museu Catavento e a região histórica do Pátio do Colégio.
O Museu Catavento e o Mercadão também serão beneficiados
A proposta pretende aproximar fisicamente equipamentos que já são importantes para o turismo paulistano.
O projeto cita especificamente o Mercado Municipal, o Museu Catavento, a Rua 25 de Março e o futuro Sesc Parque Dom Pedro II como pontos que poderão ser melhor conectados pela requalificação.
Essa integração pode favorecer deslocamentos a pé entre atrações que atualmente ficam separadas por vias de tráfego intenso.Quando os viadutos serão demolidos?
Ainda não há uma data definida para a demolição dos viadutos.
A Prefeitura informa que o projeto passará por etapas de planejamento, estudos técnicos e aprovação das intervenções. As obras deverão ser executadas de forma faseada.
Além disso, o projeto técnico estabelece que os viadutos sejam demolidos depois da implantação da nova Ponte do Carmo, evitando que a retirada das estruturas ocorra antes da criação da alternativa viária.
Portanto, apesar de a demolição estar prevista no projeto, não significa que os viadutos serão retirados imediatamente.
A demolição pode afetar o trânsito?
Sim. A mudança deverá alterar os trajetos utilizados atualmente por motoristas que atravessam o Parque Dom Pedro II.
A diferença é que o projeto foi estruturado para substituir os viadutos por uma nova configuração viária. A Prefeitura prevê reorganização das ruas, nova ponte, acessos em nível e integração com diferentes meios de transporte.
O impacto real no trânsito dependerá da execução do projeto, da capacidade das novas vias e da forma como os motoristas irão redistribuir seus deslocamentos.
Por isso, os estudos técnicos e o planejamento das etapas de obra serão importantes para definir como cada intervenção será implantada.
Por que essa transformação é importante para o Centro de São Paulo?
O Parque Dom Pedro II ocupa uma posição estratégica na cidade. Está entre o Centro Histórico, o Brás, a região da 25 de Março e importantes equipamentos culturais e de transporte.
Durante décadas, a área foi marcada pela presença de grandes estruturas viárias e pela fragmentação dos espaços públicos.
A proposta atual tenta mudar essa lógica. Em vez de tratar o parque apenas como passagem entre diferentes regiões, o projeto pretende transformá-lo em um espaço de integração entre mobilidade, áreas verdes, cultura, comércio e lazer.
A intervenção também se conecta a outras ações de requalificação do Centro Histórico de São Paulo, que incluem obras de recuperação de espaços públicos, patrimônio e equipamentos culturais.
O que pode mudar na região nos próximos anos?
Se o projeto for executado conforme previsto, o entorno do Parque Dom Pedro II deverá passar por uma mudança significativa na paisagem urbana.
A retirada dos viadutos, a construção da Ponte do Carmo, a ampliação das áreas verdes e a reorganização das vias devem alterar a relação entre pedestres, veículos e transporte público.
Ao mesmo tempo, novos equipamentos e conexões podem aumentar a circulação de pessoas entre o Centro, Brás, 25 de Março e os equipamentos culturais da região.
O resultado final dependerá da execução das obras e da capacidade de manter os espaços públicos bem cuidados depois da conclusão das intervenções.
O Parque Dom Pedro II pode se tornar um novo polo de lazer?
A proposta da Prefeitura vai nessa direção.
O projeto prevê áreas verdes, praças, espaços de convivência, equipamentos urbanos e atividades culturais gratuitas. Também estão previstas estruturas comerciais e espaços que poderão receber eventos.
A intenção é aumentar a permanência das pessoas no parque e transformar uma área historicamente associada ao tráfego em um espaço mais integrado à vida urbana.
O projeto também prevê conexão com o futuro Sesc Parque Dom Pedro II, ampliando a oferta cultural e de lazer na região.
Uma transformação que vai além da demolição dos viadutos
A retirada dos viadutos 25 de Março e Antônio Nakashima é uma das intervenções mais visíveis de um projeto muito maior.
A transformação envolve mobilidade, transporte público, patrimônio histórico, drenagem, áreas verdes, comércio, turismo e recuperação do espaço público.
O contrato da PPP já foi assinado e o projeto está em fase de planejamento e estudos para a implantação das intervenções. A Prefeitura afirma que as obras serão realizadas por etapas e que o objetivo é reduzir os impactos durante a execução.
Para São Paulo, o desafio será fazer com que a modernização da infraestrutura não produza apenas uma nova configuração viária, mas uma área central mais acessível, integrada e utilizada pela população.
Perguntas frequentes
Quais viadutos serão demolidos em São Paulo?
O projeto prevê a demolição dos viadutos 25 de Março e Antônio Nakashima, localizados no entorno do Parque Dom Pedro II.
Por que os viadutos serão demolidos?
A demolição faz parte do projeto de requalificação do Parque Dom Pedro II e tem como objetivo reorganizar o sistema viário, ampliar os espaços para pedestres e ciclistas e melhorar a integração urbana da região.
O que será construído no lugar dos viadutos?
O projeto prevê a implantação da Ponte do Carmo, além da reorganização das vias, calçadas, ciclovias e acessos da região.
Quando os viadutos serão demolidos?
Ainda não existe uma data definida. A previsão é que a demolição ocorra depois da implantação da nova Ponte do Carmo e das demais etapas necessárias para garantir a circulação viária.
Quanto será investido no projeto do Parque Dom Pedro II?
A PPP prevê investimento total de aproximadamente R$ 717,27 milhões, com contrato de 30 anos.
O Parque Dom Pedro II ganhará mais áreas verdes?
Sim. O projeto prevê mais de 100 mil m² de novas áreas verdes, além da recuperação de espaços existentes e implantação de soluções de drenagem.
O projeto terá impacto no transporte público?
Sim. Está previsto um novo terminal intermodal conectado ao Metrô, ao Expresso Tiradentes e ao futuro BRT da Radial Leste.
A Rua 25 de Março será afetada?
A região está dentro do perímetro de intervenção do projeto. A reorganização das vias poderá alterar os acessos e a circulação no entorno do polo comercial.
Leia também
• Reforma do centro de São Paulo em 2026: o que muda no Quadrilátero Histórico e por que isso importa



Comentários