Motiva vende 20 aeroportos por R$ 12,2 bilhões e muda de vez sua estratégia de negócios
- Henrique Ferreira

- há 2 dias
- 9 min de leitura
Operação coloca aeroportos como novo capítulo da expansão da mexicana ASUR e permite à Motiva concentrar investimentos em rodovias, trens e metrôs

A Motiva concluiu nesta terça-feira, 1º de setembro de 2026, a venda de sua plataforma de aeroportos para o grupo mexicano Grupo Aeroportuario del Sureste, conhecido como ASUR. O negócio movimentou R$ 12,211 bilhões e marca a saída da Motiva do setor aeroportuário após anos de atuação em terminais no Brasil e em outros países da América Latina.
A operação envolve 20 aeroportos, sendo 17 no Brasil e três no exterior. Entre os ativos brasileiros estão terminais importantes como Curitiba, Belo Horizonte, Goiânia, Foz do Iguaçu, Navegantes, Londrina e Pampulha. No exterior, fazem parte da operação aeroportos em Quito, no Equador, San José, na Costa Rica, e Curaçao.
O valor total considera R$ 5,187 bilhões em equity, referentes à aquisição de 100% das ações da CPC Holding, empresa que concentrava as participações da Motiva nos aeroportos, além de R$ 7,024 bilhões em dívidas dos ativos. O montante final foi atualizado em relação ao valor inicialmente anunciado em novembro de 2025, quando a transação estava estimada em R$ 11,5 bilhões.
Mais do que uma simples venda de ativos, o negócio representa uma mudança importante na estratégia da Motiva. A companhia pretende utilizar os recursos para reduzir seu endividamento e concentrar capital em concessões de rodovias e sistemas de transporte sobre trilhos.
Por que a Motiva decidiu vender os aeroportos?
A venda faz parte de um movimento de simplificação do portfólio da empresa.
A Motiva vem adotando uma estratégia de concentração em negócios considerados mais próximos de suas principais competências, especialmente rodovias e trilhos.
Antes da saída do setor aeroportuário, a companhia já havia encerrado sua operação de Barcas, no Rio de Janeiro, e realizado mudanças em contratos rodoviários.
A própria empresa afirma que a estratégia busca tornar o portfólio mais simples e direcionar o crescimento para ativos considerados mais rentáveis e sinérgicos.
A venda dos aeroportos representa, portanto, uma das maiores etapas desse processo.
Quanto dinheiro realmente entra no caixa da Motiva?
Apesar de a transação ser anunciada pelo valor total de R$ 12,211 bilhões, esse não é o montante que entra diretamente no caixa da Motiva.
Dos R$ 12,211 bilhões, aproximadamente R$ 5,187 bilhões correspondem ao equity da operação.
Os outros R$ 7,024 bilhões correspondem às dívidas dos ativos aeroportuários que passam para a nova estrutura.
Essa diferença é importante para entender o impacto financeiro do negócio.
Segundo a Motiva, os recursos recebidos serão utilizados principalmente para reduzir o endividamento da holding.
A dívida da Motiva deve cair
A operação também terá impacto direto na estrutura financeira da companhia.
A Motiva informou que sua alavancagem financeira consolidada, que estava em 3,7 vezes ao final de junho de 2026, deverá cair para aproximadamente 3 vezes após a conclusão da venda.
A redução do endividamento aumenta a capacidade financeira da companhia para realizar novos investimentos e participar de futuras concessões.
Esse é um dos principais objetivos estratégicos da operação.
Motiva agora mira R$ 170 bilhões em oportunidades
Com a saída dos aeroportos, a empresa pretende concentrar sua capacidade de investimento em rodovias e trilhos.
A companhia afirma ter identificado um pipeline de aproximadamente R$ 170 bilhões em oportunidades para os próximos anos envolvendo concessões rodoviárias, trens e metrôs no Brasil.
A intenção é utilizar uma estrutura financeira mais equilibrada para disputar novos projetos de infraestrutura.
Isso significa que a venda dos aeroportos não representa apenas uma redução de tamanho. Para a Motiva, trata-se de uma tentativa de reorganizar o portfólio para crescer em áreas consideradas estratégicas.
Quais aeroportos foram vendidos?
A plataforma vendida reúne 20 aeroportos em quatro mercados da América Latina e do Caribe.
No Brasil, a operação inclui aeroportos como Curitiba, Foz do Iguaçu, Goiânia, Pampulha, Navegantes, Joinville, Londrina, São Luís, Teresina, Petrolina, Palmas, Imperatriz, Pelotas, Bagé, Uruguaiana, Bacacheri e Confins.
No exterior, fazem parte do negócio os aeroportos de Quito, no Equador, San José, na Costa Rica, e Willemstad, em Curaçao.
A lista mostra que a Motiva não está vendendo apenas um pequeno conjunto de terminais. Está transferindo toda a plataforma aeroportuária que mantinha sob sua estrutura.
Quais são os aeroportos mais importantes da operação?
Entre os ativos estão alguns dos principais aeroportos regionais do país.
O aeroporto de Curitiba é estratégico para a Região Sul e para a movimentação de passageiros e cargas do Paraná.
O aeroporto de Confins, em Minas Gerais, atende a Região Metropolitana de Belo Horizonte e possui posição relevante na malha aérea brasileira.
O aeroporto de Goiânia, por sua vez, é um dos principais terminais da região Centro-Oeste.
Também estão no negócio aeroportos como Foz do Iguaçu, importante porta de entrada para um dos destinos turísticos mais conhecidos do Brasil, e Navegantes, que atende uma área de grande movimentação turística e econômica de Santa Catarina.
Quantos passageiros passam pelos aeroportos vendidos?
A plataforma aeroportuária movimentava cerca de 45 milhões de passageiros por ano, segundo os dados divulgados pela Motiva no anúncio da conclusão da transação.
A operação também reunia mais de 200 rotas regulares.
Esses números ajudam a dimensionar o tamanho da plataforma que passou para o controle da ASUR.
No balanço da Motiva, o negócio aeroportuário tinha receita líquida de R$ 2,96 bilhões nos 12 meses encerrados no terceiro trimestre de 2025 e EBITDA de R$ 1,52 bilhão, com margem de 51%.
ASUR amplia sua presença na América Latina
Para a ASUR, a compra representa uma expansão significativa de sua atuação internacional.
A empresa mexicana já opera aeroportos no México e em outros mercados latino-americanos. Com a aquisição da plataforma da Motiva, passa a controlar 20 novos aeroportos em quatro mercados.
A própria ASUR classificou a operação como parte importante de sua estratégia de crescimento. O grupo informou que a aquisição foi financiada por uma linha de crédito estruturada quando apresentou sua oferta pela plataforma da Motiva.
A entrada no Brasil amplia significativamente a presença da companhia no maior mercado de aviação da América Latina em número de passageiros.
O que a ASUR ganha com a compra?
A aquisição permite à ASUR entrar de maneira mais ampla no mercado aeroportuário brasileiro.
Em vez de construir sua presença gradualmente, a companhia assume de uma só vez um conjunto de concessões já em funcionamento, com infraestrutura instalada, contratos existentes, rotas e equipes operacionais.
A diversificação geográfica também reduz a dependência de um único mercado.
A ASUR passa a ter ativos em diferentes regiões brasileiras e em outros países latino-americanos, criando uma plataforma mais ampla de operação aeroportuária.
A venda muda alguma coisa para os passageiros?
No curto prazo, a expectativa é de continuidade da operação.
A Motiva informou que, durante o processo de transição, os aeroportos continuarão funcionando normalmente e que as equipes operacionais serão transferidas para a ASUR.
Os funcionários que atualmente trabalham na plataforma aeroportuária serão transferidos para a nova controladora.
A Motiva também informou que seu Centro de Serviços Compartilhados continuará prestando temporariamente serviços administrativos e de backoffice para garantir a continuidade da operação durante a transição.
Isso inclui atividades como folha de pagamento, suprimentos e tecnologia da informação.
Os aeroportos vão mudar de nome?
A conclusão da venda não significa uma mudança imediata dos nomes dos aeroportos.
Os terminais continuam sendo identificados por seus nomes oficiais e códigos aeroportuários.
A alteração principal neste primeiro momento está no controle societário e na empresa responsável pela operação.
Eventuais mudanças de marca, identidade visual ou estratégia comercial dependem das decisões da nova controladora e das regras de cada concessão.
A venda altera as concessões?
A operação envolve a transferência da participação societária da Motiva na holding que concentrava os ativos aeroportuários.
Isso significa que os contratos de concessão e as obrigações associadas aos aeroportos continuam existindo.
A mudança ocorre no controle dos ativos.
Antes da conclusão, a transação precisou passar por aprovações de órgãos de defesa da concorrência, credores e poderes concedentes nos países onde a Motiva possuía operações aeroportuárias.
Por que a operação é considerada tão grande?
A Motiva classificou a transação como a maior operação aeroportuária recente do mundo.
A negociação atraiu mais de 20 grupos europeus, latino-americanos e asiáticos ao longo do processo competitivo, segundo a companhia.
O interesse é explicado pelo tamanho da plataforma, pela presença em diferentes mercados e pela quantidade de passageiros movimentada pelos terminais.
Além disso, a aquisição oferece à ASUR uma entrada relevante no mercado brasileiro sem a necessidade de participar individualmente de diversos processos de concessão.
Qual foi o múltiplo pago pelos aeroportos?
Pelos termos finais, os ativos foram avaliados a um múltiplo de 8,8 vezes EV/EBITDA dos últimos 12 meses.
Segundo a Motiva, esse múltiplo está acima do múltiplo atual da própria companhia.
A empresa considera que essa diferença representa criação de valor para seus acionistas.
O múltiplo é uma forma utilizada pelo mercado para comparar o valor de uma empresa ou ativo com sua capacidade de geração de caixa operacional.
O que acontece com a Motiva depois da venda?
A Motiva passa a concentrar sua operação em duas plataformas principais: Rodovias e Trilhos.
A companhia informa que possui 18 ativos em oito estados brasileiros, 13 concessões rodoviárias e cinco operações de trilhos.
São aproximadamente 4.475 quilômetros de rodovias administradas e cerca de 750 milhões de passageiros transportados anualmente nos sistemas de metrôs, trens e VLT.
A estratégia é tornar a empresa mais concentrada em negócios de infraestrutura de mobilidade nos quais já possui experiência.
A venda representa uma mudança histórica para a antiga CCR
A Motiva é a nova identidade corporativa da antiga CCR, uma das maiores empresas privadas de infraestrutura de mobilidade do Brasil.
Durante anos, a companhia construiu presença em diferentes segmentos, incluindo rodovias, aeroportos, mobilidade urbana e outros sistemas de transporte.
A venda dos aeroportos representa uma redução deliberada dessa diversificação.
Em vez de atuar em diferentes plataformas, a companhia passa a priorizar setores em que pretende concentrar capital e competências.
O que pode acontecer com os aeroportos agora?
A mudança de controle abre uma nova fase para os 20 aeroportos.
A ASUR terá de integrar os ativos à sua estrutura operacional e administrativa, mantendo inicialmente a continuidade dos serviços.
A empresa mexicana poderá avaliar investimentos, expansão de terminais, desenvolvimento de novas rotas, melhoria da experiência dos passageiros e oportunidades comerciais em cada aeroporto.
No entanto, eventuais investimentos específicos dependerão dos planos da nova concessionária e das obrigações previstas nos contratos.
E para as cidades que possuem esses aeroportos?
A mudança pode ser relevante também para as cidades atendidas pelos terminais.
Aeroportos regionais funcionam como infraestrutura estratégica para turismo, negócios, logística e integração econômica.
Curitiba, Foz do Iguaçu, Goiânia, Londrina, Navegantes e outras cidades possuem uma relação direta entre o aeroporto e a atividade econômica regional.
Uma nova controladora pode trazer mudanças na estratégia de desenvolvimento das rotas e dos terminais, mas é cedo para afirmar quais serão os efeitos concretos em cada aeroporto.
O que a Motiva ganha com a saída dos aeroportos?
A companhia ganha liquidez e reduz seu nível de endividamento.
Ao mesmo tempo, deixa de precisar distribuir capital e capacidade de gestão entre aeroportos, rodovias e trilhos.
A estratégia é utilizar os recursos para fortalecer a estrutura financeira e participar de novos projetos de infraestrutura.
Em um setor em que concessões exigem investimentos elevados e compromissos de longo prazo, uma estrutura de capital mais equilibrada pode aumentar a capacidade de participação em novas disputas.
Uma nova fase para a infraestrutura de mobilidade
A venda dos 20 aeroportos mostra como o mercado brasileiro de infraestrutura continua passando por uma reorganização.
De um lado, empresas tradicionais buscam concentrar seus recursos em segmentos específicos. De outro, grupos internacionais aproveitam oportunidades para ampliar sua presença em mercados considerados estratégicos.
No caso da Motiva, o movimento é claro: sair dos aeroportos para concentrar capital em rodovias e trilhos.
Para a ASUR, o caminho é inverso: ampliar sua presença internacional e entrar de maneira relevante no mercado aeroportuário brasileiro.
A transação, portanto, não representa apenas a troca de controle de 20 aeroportos. Ela também redefine a posição de duas grandes empresas dentro do mercado latino-americano de infraestrutura.
Perguntas frequentes
Quanto a Motiva recebeu pela venda dos aeroportos?
A transação foi concluída pelo valor total de R$ 12,211 bilhões, considerando R$ 5,187 bilhões em equity e R$ 7,024 bilhões em dívidas dos ativos.
Quem comprou os aeroportos da Motiva?
A compradora é a mexicana Grupo Aeroportuario del Sureste, ASUR, por meio de sua estrutura societária.
Quantos aeroportos foram vendidos?
Foram vendidos 20 aeroportos, sendo 17 no Brasil e três no exterior.
Quais aeroportos brasileiros foram vendidos?
Entre os ativos estão Curitiba, Confins, Pampulha, Foz do Iguaçu, Goiânia, Navegantes, Londrina, Joinville, Petrolina, Palmas, Teresina, São Luís e outros terminais regionais.
A Motiva vai sair do setor de aeroportos?
Sim. Com a conclusão da transação, a empresa deixa de controlar sua plataforma aeroportuária e passa a concentrar suas operações em rodovias e trilhos.
O que acontecerá com os funcionários?
Os funcionários que atuam na plataforma aeroportuária serão transferidos para a ASUR, conforme o acordo de transição informado pelas empresas.
Os aeroportos vão continuar funcionando normalmente?
A transição foi estruturada para preservar a continuidade operacional dos terminais e evitar impactos aos passageiros.
Por que a Motiva vendeu os aeroportos?
A venda faz parte da estratégia de simplificação do portfólio e de concentração dos investimentos em rodovias e trilhos.
O dinheiro da venda será usado para quê?
A Motiva informou que os recursos serão utilizados para reduzir o endividamento da holding e ampliar sua capacidade financeira para novos investimentos.
Qual é o tamanho do mercado que a Motiva pretende disputar?
A companhia afirma ter identificado aproximadamente R$ 170 bilhões em oportunidades de concessões rodoviárias, de trens e metrôs no Brasil para os próximos anos.




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