São Paulo formaliza crédito de US$ 248,3 milhões para ampliar eletrificação dos ônibus
- Henrique Ferreira

- há 3 dias
- 8 min de leitura
Financiamento com o BID prevê recursos para aproximadamente 582 novos ônibus elétricos e também para modernizar a gestão do transporte público da capital

A Prefeitura de São Paulo formalizou um financiamento de US$ 248,3 milhões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para ampliar a eletrificação da frota de ônibus da capital. O contrato faz parte do programa municipal de redução das emissões de gases poluentes e prevê recursos não apenas para a compra de veículos elétricos, mas também para tecnologia, planejamento, estudos e monitoramento do sistema de transporte.
A operação foi formalizada após a publicação do extrato do Contrato de Empréstimo nº 5989/OC-BR no Diário Oficial da Cidade, em 31 de agosto. O documento havia sido assinado em 25 de agosto pelo secretário municipal da Fazenda, Luis Felipe Vidal Arellano, e pela representante do BID no Brasil, Annette Bettina Killmer.
O financiamento prevê uma subvenção econômica para a aquisição de aproximadamente 582 ônibus elétricos. A expansão deverá se somar aos 1.759 ônibus elétricos que já fazem parte da frota da capital, segundo os dados divulgados pela Prefeitura.
Quanto São Paulo vai receber do BID?
O contrato firmado com o BID tem valor de US$ 248,3 milhões.
O dinheiro será liberado em cinco parcelas, ao longo de um prazo de desembolso de cinco anos. A liberação de cada parcela estará condicionada ao cumprimento de determinadas condições e à comprovação dos resultados previstos no programa.
A comprovação dos resultados será feita com participação de uma entidade independente, responsável por verificar se os indicadores estabelecidos no contrato foram alcançados.
Quantos ônibus elétricos serão comprados?
O financiamento prevê recursos para a aquisição de aproximadamente 582 ônibus elétricos.
A quantidade representa uma nova etapa da estratégia de eletrificação do transporte coletivo municipal. Atualmente, segundo a Prefeitura, São Paulo possui 1.759 ônibus elétricos em sua frota.
Com a expansão, a cidade poderá aumentar de forma significativa a participação dos veículos elétricos no transporte público, embora o número final de veículos e o cronograma de incorporação dependam da execução do programa.
O dinheiro será usado somente para comprar ônibus?
Não.
Uma das características do financiamento é justamente ampliar o investimento para outras áreas relacionadas à modernização do transporte público.
Os recursos também poderão ser utilizados para melhorar a gestão e o planejamento do sistema, adquirir ferramentas digitais, realizar estudos técnicos e acompanhar os resultados do programa.
A proposta é associar a substituição dos ônibus convencionais por veículos elétricos a mudanças na maneira como o sistema é planejado e monitorado.
Por que São Paulo está investindo em ônibus elétricos?
A eletrificação é uma das estratégias utilizadas pela cidade para reduzir as emissões de poluentes provenientes do transporte coletivo.
Os ônibus circulam diariamente por diferentes regiões da capital e são responsáveis por uma parcela relevante das emissões relacionadas ao transporte urbano.
Ao substituir veículos movidos a combustíveis fósseis por modelos elétricos, a expectativa é reduzir a emissão de poluentes atmosféricos e gases de efeito estufa, além do ruído produzido pelos veículos.
O programa financiado pelo BID está diretamente relacionado a essa estratégia de redução das emissões na cidade.
O que muda para o passageiro?
A principal mudança percebida pelo passageiro tende a ocorrer na própria frota, com a entrada gradual de novos ônibus elétricos.
Além da questão ambiental, os veículos elétricos podem proporcionar uma experiência diferente de viagem, especialmente pela redução do ruído do motor e pelas características de operação dos veículos.
Mas o programa pretende atuar também na gestão do serviço. Entre os indicadores vinculados ao financiamento estão a capacidade de adequar a oferta de ônibus à demanda e o uso de ferramentas digitais para melhorar o planejamento.
Isso significa que o objetivo não é apenas colocar mais ônibus elétricos nas ruas, mas utilizar tecnologia e dados para tentar tornar o sistema mais eficiente.
Programa terá novas ferramentas digitais
O financiamento prevê a aquisição de ferramentas digitais para apoiar a gestão do transporte público.
Entre os indicadores do programa está a utilização da plataforma MAAS, sigla para Mobility as a Service, além do desempenho do sistema SIGMA, utilizado para apoiar a adequação da oferta e da demanda do transporte.
A Prefeitura também estabeleceu como indicador a redução do tempo de resposta para adequar a oferta do serviço à demanda.
Na prática, a proposta é utilizar dados e sistemas digitais para identificar mudanças na procura por transporte e permitir respostas mais rápidas na operação.
O que é o MAAS?
O MAAS, ou Mobility as a Service, é uma abordagem que busca integrar informações e serviços de diferentes formas de transporte em plataformas digitais.
No programa financiado pelo BID, o número de usuários registrados na plataforma MAAS será um dos indicadores utilizados para acompanhar os resultados da operação.
O contrato, portanto, relaciona a modernização tecnológica à expansão da frota elétrica.
E o que é o SIGMA?
O SIGMA aparece no contrato como ferramenta relacionada à gestão da oferta e da demanda do transporte público.
Um dos resultados vinculados aos desembolsos será justamente a redução do tempo necessário para adequar a oferta do serviço às mudanças na demanda.
A medida pode ser importante em uma cidade em que a demanda por ônibus varia bastante de acordo com horários, regiões, eventos e características dos deslocamentos.
Programa também terá metas de mobilidade de baixo carbono
O financiamento estabelece indicadores que vão além da quantidade de ônibus elétricos.
Um deles é a apreciação de planos de mobilidade de baixo carbono pelo Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT).
A inclusão desse indicador mostra que o programa está associado a uma estratégia mais ampla de redução das emissões do transporte urbano.
A eletrificação da frota, portanto, aparece como parte de uma política de mobilidade de baixo carbono, e não como uma ação isolada de substituição de veículos.
Mulheres também aparecem entre as metas do programa
Outro indicador estabelecido no financiamento está relacionado à equidade de gênero.
O contrato prevê como resultado a adoção de um Índice de Equidade de Gênero (IEQ) positivo pelas concessionárias.
A medida vincula parte da liberação dos recursos ao cumprimento de objetivos relacionados à gestão das empresas responsáveis pela operação do transporte.
Quem vai executar o programa?
O Município de São Paulo será o órgão executor do programa.
A coordenação ficará sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT), com apoio técnico da São Paulo Transporte (SPTrans).
Também está prevista a contratação de um Verificador Independente, que terá a função de acompanhar e certificar o cumprimento dos indicadores vinculados aos desembolsos.
Quando o dinheiro será liberado?
O contrato estabelece um prazo de desembolso de cinco anos, contados a partir da entrada em vigor da operação.
O dinheiro não será liberado integralmente de uma só vez. Serão cinco parcelas, condicionadas ao cumprimento das exigências e à comprovação dos resultados previstos.
Para que ocorra o primeiro desembolso, algumas condições precisam ser atendidas.
Entre elas estão a aprovação do Regulamento Operacional do Programa, a designação ou contratação do coordenador do projeto e de um especialista ambiental, a contratação do Verificador Independente e a aprovação de um plano para otimizar a infraestrutura de recarga.
São Paulo terá de ampliar a infraestrutura de recarga
A expansão da frota elétrica exige também uma estrutura capaz de carregar os veículos.
Por isso, uma das condições estabelecidas para o primeiro desembolso é a aprovação de um plano de ação para otimizar a infraestrutura de recarga.
Esse ponto é fundamental para a expansão dos ônibus elétricos porque a operação de uma frota desse tipo depende de planejamento dos locais de carregamento, capacidade energética e organização dos períodos em que os veículos ficam fora de circulação.
Quanto tempo São Paulo terá para pagar o financiamento?
O contrato prevê 72 meses de carência para o pagamento da primeira parcela de amortização.
A quitação da operação ocorrerá em até 15 anos após a assinatura, com pagamentos semestrais nos meses de janeiro e julho. A operação conta com garantia da União.
O modelo permite que os investimentos sejam realizados antes do início da amortização do financiamento.
Financiamento faz parte de um pacote maior
O crédito de US$ 248,3 milhões não é a única operação internacional aprovada para São Paulo.
Em agosto, o Senado autorizou três operações de crédito internacional que somam US$ 701,9 milhões, equivalentes a cerca de R$ 3,62 bilhões, segundo a Prefeitura.
Desse total, dois financiamentos de US$ 248,3 milhões cada estão relacionados à eletrificação da frota, sendo um com o BID e outro com o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, o BIRD.
Outro financiamento, de US$ 205,3 milhões com o BID, será destinado ao programa Avança Saúde II.
Quantos ônibus elétricos São Paulo poderá ter?
Considerando os dois financiamentos de US$ 248,3 milhões destinados à eletrificação, a Prefeitura informou que os investimentos poderão contribuir para a incorporação de mais de 1.100 novos ônibus elétricos.
O contrato individual firmado agora com o BID prevê aproximadamente 582 veículos.
A soma dos dois financiamentos representa uma etapa importante da estratégia municipal de ampliar a frota elétrica da capital.
O que a eletrificação muda na cidade?
A mudança tem impacto que vai além dos ônibus.
A redução das emissões pode contribuir para melhorar a qualidade do ar em uma cidade com intenso tráfego de veículos. A redução do ruído também pode ser relevante, especialmente em corredores de transporte com grande circulação de ônibus.
Existe ainda um efeito sobre a modernização da infraestrutura urbana, já que a expansão da frota elétrica exige novos sistemas de recarga, planejamento energético e adaptação das garagens e estruturas de operação.
A frota elétrica já é grande em São Paulo?
Sim.
Segundo a Prefeitura, São Paulo já possui 1.759 ônibus elétricos em operação.
A cidade vem ampliando gradualmente a presença desses veículos na rede municipal, e os novos financiamentos internacionais representam uma fonte adicional de recursos para acelerar esse processo.
O desafio agora será transformar os recursos contratados em veículos efetivamente entregues, infraestrutura de recarga e melhorias na operação.
O que acontece agora?
A formalização do contrato marca o início de uma nova etapa do programa.
Antes dos primeiros desembolsos, a Prefeitura precisa cumprir as condições estabelecidas no contrato, incluindo a estruturação da gestão do programa, a contratação do verificador independente e a aprovação do plano de infraestrutura de recarga.
Depois disso, os recursos serão liberados de acordo com o cumprimento dos indicadores definidos pelo BID.
A expectativa é que a operação permita avançar simultaneamente na eletrificação da frota e na modernização da gestão do transporte público.
Por que esse financiamento é importante para São Paulo?
O transporte coletivo é uma das principais ferramentas para reduzir a dependência do automóvel em uma metrópole como São Paulo.
A eletrificação dos ônibus combina duas estratégias: reduzir as emissões do transporte e modernizar a operação do sistema.
O financiamento internacional também permite distribuir o investimento ao longo de vários anos e vincular parte dos desembolsos a resultados mensuráveis.
Para o passageiro, o resultado esperado não se resume à troca do tipo de motor dos ônibus. O programa prevê também tecnologia, planejamento, monitoramento e metas de eficiência.
Perguntas frequentes
Quanto São Paulo recebeu do BID para eletrificar os ônibus?
A Prefeitura formalizou um financiamento de US$ 248,3 milhões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Quantos ônibus elétricos serão comprados?
O contrato prevê recursos para aproximadamente 582 ônibus elétricos.
Quantos ônibus elétricos São Paulo já possui?
Segundo a Prefeitura, a capital possui atualmente 1.759 ônibus elétricos.
O dinheiro será usado apenas para comprar ônibus?
Não. Os recursos também serão destinados à gestão e ao planejamento do transporte, ferramentas digitais, estudos técnicos, monitoramento e outras ações previstas no programa.
Quando o financiamento será liberado?
O prazo de desembolso é de cinco anos e os recursos serão liberados em cinco parcelas, condicionadas ao cumprimento dos resultados e requisitos previstos no contrato.
Quem administra o programa?
O Município de São Paulo será o executor, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, com apoio técnico da SPTrans.
O financiamento precisa ser pago?
Sim. O contrato prevê 72 meses de carência para o início da amortização e quitação em até 15 anos após a assinatura, com pagamentos semestrais.
A eletrificação pode melhorar o transporte público?
A eletrificação pode reduzir emissões de poluentes e ruído. O programa também prevê investimentos em gestão e tecnologia para melhorar o planejamento e a resposta da operação à demanda.




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