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Nunes critica decisão judicial sobre Uber Moto e diz que "ninguém vai chorar no cemitério" pelas vítimas de acidentes em São Paulo

  • Foto do escritor: Henrique Ferreira
    Henrique Ferreira
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta quarta-feira (22) que vai recorrer da decisão da Justiça que determinou a liberação do serviço de transporte de passageiros por motocicleta, como o Uber Moto, na capital paulista. Durante entrevista, o prefeito fez duras críticas à decisão e declarou que "ninguém vai chorar no cemitério" pelas pessoas que poderão morrer em acidentes caso o serviço seja autorizado. 


Ricardo Nunes fala ao microfone em coletiva, com fundo laranja e azul de São Paulo; placa, copo e frasco de álcool gel visíveis.
 A discussão sobre a liberação do Uber Moto voltou ao centro do debate entre a Prefeitura de São Paulo e o Poder Judiciário.


Prefeito promete recorrer da decisão


A declaração foi feita após a Justiça de São Paulo determinar que a Prefeitura autorize a operação do Uber Moto na cidade no prazo de 48 horas, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. A administração municipal informou que recorrerá da decisão e mantém o entendimento de que o serviço representa riscos para a segurança viária.

Segundo Ricardo Nunes, os índices de acidentes envolvendo motocicletas na capital justificam a posição da Prefeitura. O prefeito afirmou que, apenas no último ano, 475 pessoas morreram em acidentes com motos na cidade. Também citou dados da Rede Lucy Montoro, segundo os quais mais da metade dos pacientes atendidos por acidentes de trânsito são motociclistas, sendo que 58% ficaram paraplégicos e 20% sofreram amputações.


"Não vão chorar no cemitério"


Ao comentar a decisão judicial, Nunes declarou que os responsáveis por autorizar a operação não estarão presentes para lidar com as consequências dos acidentes.


"Quando acontecer o acidente, a morte, as amputações, as pessoas ficarem paraplégicas, não vai ter ninguém chorando a perda das pessoas no cemitério", afirmou o prefeito.

O prefeito também criticou a atuação do Judiciário em decisões relacionadas às políticas públicas municipais e afirmou que a regulamentação criada pela Prefeitura teve parte de suas exigências suspensas durante a disputa judicial.


O que diz a Uber


Motociclista da Uber de capacete laranja e jaqueta preta e laranja, visto de trás, trafega por avenida arborizada.
Motoboy do Uber Moto circula por avenida movimentada em São Paulo, enquanto a liberação do serviço é debatida entre a Prefeitura e o Judiciário.

A Uber sustenta que sua operação atende às exigências legais e afirma que todas as viagens realizadas pelo Uber Moto contam com Seguro de Acidentes Pessoais para usuários e parceiros. A empresa considera que a decisão judicial reafirma a legalidade do serviço e amplia as opções de mobilidade para a população paulistana.


Debate continua na Justiça


A disputa entre a Prefeitura de São Paulo e a Uber sobre o transporte remunerado por motocicletas se arrasta há meses e ainda deverá ter novos capítulos nos tribunais. Enquanto a administração municipal defende restrições com base em dados de segurança no trânsito, a empresa argumenta que a atividade é legal e já funciona em diversas cidades brasileiras. A decisão mais recente ainda pode ser contestada por meio de recurso.


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