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Tarcísio diz que aumento de 1% para professores de SP custaria R$ 500 milhões por ano

  • Foto do escritor: Henrique Ferreira
    Henrique Ferreira
  • há 21 horas
  • 8 min de leitura

Governador e candidato à reeleição afirmou que reajustar em 1% os salários dos professores da rede estadual representaria quase R$ 500 milhões a mais por ano nas despesas do Estado. Tarcísio também falou sobre ensino técnico, Ideb e planos para a educação em um eventual segundo mandato.


Homem de camisa azul cumprimenta aluno com soquinho em sala de aula, com estudantes ao fundo e cortinas azuis.
Tarcísio de Freitas afirmou que um reajuste de 1% para os professores da rede estadual teria impacto anual de quase R$ 500 milhões nas contas públicas.

O governador de São Paulo e candidato à reeleição pelo Republicanos, Tarcísio de Freitas, afirmou nesta quarta-feira (19) que um aumento de 1% nos salários dos professores da rede estadual custaria quase R$ 500 milhões por ano aos cofres públicos.

A declaração foi dada durante uma sabatina na rádio Jovem Pan, em meio às discussões sobre remuneração dos professores, qualidade da educação pública e propostas para um eventual segundo mandato.

Segundo Tarcísio, a rede estadual possui mais de 200 mil professores ativos, o que faz com que mesmo pequenos percentuais de reajuste tenham impacto significativo na folha de pagamento e também na Previdência.

“Eu adoraria pagar o melhor salário do Brasil para os professores e acho que eles merecem”, afirmou o governador durante a entrevista.


Quanto custaria aumentar o salário dos professores de São Paulo?


De acordo com Tarcísio, cada 1 ponto percentual de aumento na remuneração dos professores representaria uma despesa adicional de aproximadamente R$ 500 milhões por ano.

O governador destacou que esse impacto não ocorre apenas no momento da concessão do reajuste. Segundo ele, o aumento passa a ser incorporado à despesa anual do Estado e também produz efeitos sobre os gastos previdenciários.

A discussão ocorre em uma das maiores redes públicas de ensino do país.

O tamanho da rede estadual paulista faz com que decisões relacionadas a salários tenham impacto direto sobre o orçamento público.


São Paulo está entre os estados com menor remuneração inicial, diz Tarcísio


Durante a sabatina, Tarcísio afirmou que São Paulo ocupa atualmente uma posição entre a 16ª e a 17ª colocação nacional quando considerada a remuneração dos professores.

Dados apresentados pelo Poder360, com base em levantamento do Movimento Profissão Docente, mostram que o salário inicial de um professor da rede pública estadual paulista com jornada de 40 horas semanais era de R$ 5.565 em 2025, sem gratificações.

O valor estava abaixo da média nacional de R$ 6.212,36.

Naquele levantamento, Mato Grosso do Sul aparecia na primeira posição, com remuneração inicial de R$ 13.007,12.


Salário no fim da carreira é diferente


A comparação muda quando é considerada a remuneração no final da carreira.

Em 2025, segundo os dados apresentados na reportagem, a remuneração final dos professores paulistas chegava a R$ 14.469.

Esse valor ficava acima da média nacional, de R$ 9.799,54.

São Paulo aparecia atrás de Mato Grosso do Sul, Ceará e Tocantins nesse critério.

A diferença entre salário inicial e final está relacionada à estrutura de progressão da carreira.

Por isso, comparar apenas o vencimento de entrada pode produzir uma visão diferente daquela obtida quando são considerados os níveis mais avançados da carreira.


Reajuste dos professores envolve impacto na Previdência


Um dos argumentos apresentados por Tarcísio para explicar o tamanho do impacto financeiro é que o reajuste salarial não fica restrito aos professores que estão trabalhando atualmente.

Segundo o governador, mudanças na remuneração também têm reflexos sobre a Previdência.

Isso significa que o custo de uma política de valorização salarial precisa ser analisado em uma perspectiva de longo prazo, especialmente em uma rede com grande número de servidores ativos e aposentados.

O tema coloca em discussão dois objetivos que frequentemente entram em tensão na administração pública: melhorar a remuneração dos profissionais e manter o equilíbrio das contas estaduais.


Tarcísio diz que gostaria de pagar o melhor salário do Brasil


Apesar de destacar o impacto orçamentário, Tarcísio afirmou que considera justa a reivindicação por melhores salários.

O governador declarou que gostaria de pagar aos professores paulistas “o melhor salário do Brasil” e reconheceu a importância dos profissionais para a educação estadual.

A declaração ocorre durante uma campanha de reeleição na qual a educação aparece entre os temas que deverão ser discutidos pelos candidatos.


Uso de tecnologia nas escolas também foi questionado


Durante a sabatina, Tarcísio também foi questionado sobre críticas feitas por professores e coordenadores ao uso de plataformas tecnológicas e às metas estabelecidas pela Secretaria Estadual da Educação.

O governador reconheceu que as críticas são plausíveis e afirmou que algumas medidas podem ter provocado um certo “engessamento” na rotina escolar.

Segundo ele, a intenção do governo ao ampliar o uso de tecnologia era oferecer ferramentas para professores e estudantes, e não restringir a autonomia dos profissionais.

Tarcísio afirmou que a estratégia está sendo revista para oferecer mais flexibilidade aos professores.


Governo cita plataformas para Enem, matemática e redação


Entre as ferramentas utilizadas pela rede estadual estão plataformas voltadas à preparação para o Enem, matemática, redação e tarefas escolares.

O governador também citou o programa Multiplica, no qual professores tutores trabalham com outros docentes para discutir estratégias pedagógicas.

A proposta é utilizar tecnologia e formação continuada como instrumentos de apoio ao trabalho realizado em sala de aula.


Ideb do ensino médio também entrou no debate


Outro tema abordado durante a entrevista foi o desempenho de São Paulo no Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.

Segundo o levantamento citado na reportagem, o ensino médio da rede pública paulista ficou na 10ª posição nacional em 2025, com nota 4,3.

Tarcísio contestou o recorte utilizado.

Segundo ele, o indicador não considera adequadamente a expansão do ensino médio técnico no Estado.

Ao somar as modalidades, o governador afirmou que a nota paulista chegaria a 4,5, levando São Paulo à 8ª colocação.


Ensino técnico cresceu durante o governo


A expansão do ensino técnico é um dos principais argumentos apresentados por Tarcísio na área da educação.

Segundo o governador, quando assumiu o governo, 12% dos alunos do ensino médio estavam matriculados nessa modalidade.

Atualmente, esse percentual teria chegado a 42%.

A ampliação do ensino técnico faz parte da estratégia do governo para aproximar a formação escolar das necessidades do mercado de trabalho.


Tarcísio compara estratégia com o Paraná


Durante a sabatina, o governador afirmou que a estratégia adotada em São Paulo é semelhante à utilizada pelo Paraná, Estado que alcançou a primeira posição no Ideb.

Tarcísio ponderou, porém, que as políticas precisam ser adaptadas às características da rede paulista.

A comparação é utilizada pelo governo como argumento para defender a combinação entre ensino técnico, tutoria, recuperação da aprendizagem e acompanhamento dos resultados.


Ensino fundamental teve desempenho melhor, segundo governador


Tarcísio também citou os resultados do ensino fundamental.

Segundo os números apresentados por ele, o Fundamental 1 passou de 6,2 para 6,6, levando São Paulo à terceira posição nacional.

No Fundamental 2, a nota teria passado de 5,1 para 5,2, mantendo o Estado na quinta colocação.

O governador atribuiu o desempenho mais discreto do Fundamental 2 ao estágio inicial do programa de tutoria.

Atualmente, segundo ele, a iniciativa está em fase piloto e alcança aproximadamente 10% das escolas.


Programa de tutoria deve ser ampliado


A intenção do governo é ampliar o programa para mais escolas.

A tutoria é apresentada como uma ferramenta para apoiar professores e melhorar o desempenho dos estudantes.

O modelo busca acompanhar mais de perto as dificuldades de aprendizagem e desenvolver estratégias específicas para diferentes grupos de alunos.

A expansão do programa está entre as medidas mencionadas por Tarcísio para um eventual segundo mandato.


O que Tarcísio promete para a educação em um segundo mandato?


Caso seja reeleito, o governador afirmou que pretende ampliar uma série de programas educacionais.

Entre as prioridades citadas estão a expansão das escolas de tempo integral, dos programas de tutoria e de recuperação da aprendizagem e das políticas de alfabetização na idade certa.

Tarcísio também mencionou a formação continuada dos professores como uma das áreas que deverão receber atenção.


Ensino técnico deve continuar como prioridade


A expansão do ensino técnico aparece novamente entre os planos para um eventual segundo mandato.

Tarcísio afirmou que pretende ampliar essa modalidade e reformular cursos oferecidos pelo Centro Paula Souza.

A intenção é aproximar a formação profissional de setores considerados estratégicos para a economia.

Entre as áreas mencionadas estão inteligência artificial, semicondutores e baterias.


Governo também cita infraestrutura das escolas


Além de salários e desempenho acadêmico, Tarcísio apresentou números relacionados à infraestrutura da rede estadual.

Segundo o governador, quando assumiu o governo, apenas 9 das 5.128 escolas estaduais tinham ar-condicionado.

Atualmente, seriam cerca de 1.500 unidades equipadas.

Ele também afirmou que aproximadamente 3.400 escolas foram reformadas durante sua gestão, além da entrega de 169 creches e 84 escolas novas.


Bonificação por desempenho também foi citada


Outro mecanismo apresentado pelo governo é a política de bonificação baseada no desempenho dos estudantes.

Segundo Tarcísio, 180 mil profissionais da educação receberam bônus relacionados aos resultados dos alunos.

O governador afirmou que o programa distribuiu aproximadamente R$ 1 bilhão e que começou contemplando 60 mil profissionais no primeiro ano.

A política de bonificação é diferente de um reajuste salarial permanente.

Enquanto o aumento salarial eleva a remuneração e produz efeitos continuados na folha, o bônus é condicionado aos critérios estabelecidos pelo programa.


Reajuste salarial continua sendo uma questão central


A discussão sobre remuneração permanece como um dos principais desafios da educação pública paulista.

O próprio governador reconhece que gostaria de melhorar os salários dos professores, mas aponta o impacto fiscal como um dos obstáculos.

Com mais de 200 mil docentes ativos, qualquer alteração percentual produz um efeito significativo sobre o orçamento.

Ao mesmo tempo, a remuneração é um dos fatores utilizados para atrair e manter profissionais na carreira docente.


O desafio de equilibrar salário e orçamento


O debate sobre os professores de São Paulo não se resume ao percentual de reajuste.

Uma política permanente de valorização precisa considerar salário inicial, progressão na carreira, gratificações, bônus, condições de trabalho, formação e infraestrutura das escolas.

Também precisa considerar o impacto sobre as contas públicas no curto e no longo prazo.

A declaração de Tarcísio coloca justamente essa questão no centro do debate eleitoral: quanto o Estado pode aumentar a remuneração dos professores sem comprometer outras despesas e investimentos?


O que está em jogo nas eleições de 2026


A educação deverá ocupar espaço importante na disputa pelo governo de São Paulo.

Tarcísio concorre à reeleição e apresenta a expansão do ensino técnico, a melhora de indicadores, as reformas das escolas e a ampliação das escolas de tempo integral como parte dos resultados de sua gestão.

Ao mesmo tempo, o debate sobre remuneração mostra que ainda existe uma questão aberta sobre a valorização salarial dos professores.

O próximo governo terá de decidir como equilibrar essas diferentes prioridades.


Perguntas frequentes


Quanto custaria aumentar em 1% o salário dos professores estaduais de São Paulo?

Segundo Tarcísio de Freitas, um reajuste de 1% representaria quase R$ 500 milhões de

despesa adicional por ano, além de impactos sobre a Previdência.


Quantos professores trabalham na rede estadual de São Paulo?

Segundo o governador, a rede estadual possui mais de 200 mil professores ativos.


Qual era o salário inicial de um professor estadual de São Paulo em 2025?

Segundo levantamento citado pelo Poder360, a remuneração inicial para jornada de 40 horas semanais era de R$ 5.565, sem gratificações.


Qual era a remuneração final dos professores paulistas?

A remuneração final indicada no levantamento era de R$ 14.469 em 2025.


Tarcísio defende aumento para os professores?

O governador afirmou que gostaria de pagar o melhor salário do Brasil aos professores, mas destacou o impacto financeiro de reajustes sobre o orçamento estadual.


O governo de São Paulo pretende ampliar o ensino técnico?

Sim. Tarcísio afirmou que pretende ampliar o ensino técnico e reformular cursos do Centro Paula Souza, com foco em áreas como inteligência artificial, semicondutores e baterias.


O que Tarcísio pretende fazer na educação se for reeleito?

Entre as medidas citadas estão ampliar escolas de tempo integral, tutoria, recuperação da aprendizagem, alfabetização na idade certa, formação continuada e ensino técnico.


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