Sindicato ameaça greve nas linhas da CPTM após sequência de falhas e incêndio em trem em São Paulo

Categoria deu prazo até 31 de julho para resposta do Governo de São Paulo. Caso não haja acordo, paralisação por tempo indeterminado poderá começar em 4 de agosto e afetar as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade.

A crise envolvendo as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da malha ferroviária paulista ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (27). O Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil anunciou que poderá iniciar uma greve por tempo indeterminado a partir da meia-noite de 4 de agosto, caso o Governo de São Paulo não apresente uma resposta às reivindicações da categoria até o próximo dia 31 de julho. A decisão foi aprovada em assembleia realizada pelos trabalhadores após os problemas registrados desde o início da operação da concessionária Trivia Trens.
A mobilização ocorre poucos dias depois de uma sequência de falhas que afetou a circulação dos trens e culminou em um incêndio em um vagão nas proximidades da Estação Brás, na Zona Leste da capital. O episódio provocou pânico entre passageiros e levou a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) a determinar que a CPTM reassumisse temporariamente a operação das três linhas por um período inicial de 90 dias, enquanto as causas dos problemas são investigadas.
Sindicato pede reestatização e garantia dos empregos
Entre as principais reivindicações apresentadas pela categoria está a reestatização das linhas concedidas à iniciativa privada, além da manutenção dos empregos dos trabalhadores da CPTM afetados pelo processo de concessão.
Os ferroviários também defendem que o Governo de São Paulo apoie um projeto em tramitação na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), que prevê a absorção dos empregados da companhia por órgãos da administração pública estadual em caso de privatizações ou concessões.
Segundo o sindicato, os trabalhadores não responsabilizam diretamente os funcionários da nova concessionária pelos problemas registrados, mas criticam a forma como foi conduzida a transição operacional entre a CPTM e a Trivia Trens.
Governo ainda não recebeu notificação oficial
Em nota enviada à imprensa, o Governo de São Paulo informou que, até o momento, não foi oficialmente comunicado sobre a ameaça de greve e, por isso, ainda não possui um posicionamento formal sobre as reivindicações apresentadas pelo sindicato.
Incêndio acelerou crise na operação
O anúncio da possível paralisação acontece poucos dias após um dos episódios mais graves registrados desde o início da concessão.
Na manhã de 23 de julho, um trem apresentou um curto-circuito no pantógrafo enquanto circulava próximo à Estação Brás. O problema provocou um incêndio em um dos vagões, obrigando passageiros a deixarem a composição e gerando transtornos na operação das linhas.
Vídeos compartilhados nas redes sociais mostraram faíscas, fumaça e momentos de tensão durante a ocorrência. Apesar do susto, a circulação foi normalizada no dia seguinte, após atuação das equipes técnicas da CPTM e da concessionária.
CPTM reassumiu operação das linhas
Diante das falhas registradas logo nos primeiros dias da concessão, a Artesp determinou que a CPTM voltasse a operar temporariamente as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade por um período inicial de 90 dias.
A medida inclui o retorno do Centro de Controle Operacional (CCO) à administração da estatal, com acompanhamento da agência reguladora e da concessionária, enquanto são apuradas as causas dos incidentes e o cumprimento das obrigações contratuais.
Próximos dias serão decisivos
A expectativa agora é pela resposta do Governo de São Paulo às reivindicações da categoria. Caso não haja acordo até 31 de julho, o sindicato afirma que iniciará uma greve por tempo indeterminado a partir de 4 de agosto, o que poderá impactar milhares de passageiros que utilizam diariamente as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade para se deslocar entre a capital e cidades da Região Metropolitana.
Ainda não há confirmação oficial sobre como um eventual movimento paredista poderá afetar a circulação dos trens, mas novas reuniões entre representantes dos trabalhadores e do governo devem ocorrer nos próximos dias.
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